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Nasa diz ter achado origem de estrela que "foge" a 2,5 mi de km/h

22 jul 2010
17h40

Há cerca de 1 milhão de anos, um sistema estelar triplo viajava pela Via Láctea quando se aproximou demais do buraco negro que fica no centro da nossa galáxia. A aproximação fez com que uma das estrelas fosse absorvida e as outras duas foram jogadas fora da Via Láctea. Além disso, os dois astros acabaram por se unir e formar uma única estrela superquente e azul. Segundo a agência espacial americana, Nasa, a história parece ficção científica, mas é o cenário mais provável para o que pode ter ocorrido com a hiperveloz estrela HE 0437-5439 - que chega a 2,5 milhões de km/h - uma das mais rápidas conhecidas, três vezes mais veloz que a órbita do Sol.

Segundo estudo, dados do Hubble indicam que estrela em hipervelocidade saiu do centro da Via Láctea
Segundo estudo, dados do Hubble indicam que estrela em hipervelocidade saiu do centro da Via Láctea
Foto: Nasa / Divulgação

A hipótese foi criada a partir de dados registrados pelo telescópio espacial Hubble, que confirmou que a estrela saiu do centro da galáxia, o que deixou os astrônomos inicialmente confusos. "Utilizando o Hubble, nós pudemos pela primeira vez traçar de onde a estrela saiu ao medir a direção do movimento da estrela no céu. Esse movimento aponta diretamente ao centro da Via Láctea", diz em comunicado da Nasa o astrônomo Warren Brown, do Instituto Harvard-Smithsonian de Astrofísica, em Cambridge, nos Estados Unidos.

"Essas estrelas exiladas são raras na população de 100 bilhões de estrelas da Via Láctea. Para cada 100 milhões de estrelas na galáxia, aparece uma em hipervelocidade", diz o pesquisador.

Segundo Oleg Gnedin, da Universidade de Michigan, que liderou o estudo, pesquisar essas estrelas pode levar os cientistas a entender a matéria escura e a compreender melhor a formação das galáxias.

A estrela "fujona" já está a 200 mil anos luz do disco da Via Láctea. Para se ter ideia, o diâmetro da nossa galáxia é de aproximadamente 100 mil anos-luz. Segundo os cientistas, a velocidade da estrela é mais do que o dobro de que o necessário para fugir do campo gravitacional galático.

A massa - nove vezes a do Sol - e a cor azul indicam que o astro deve estar queimando há cerca de 20 milhões de anos. Os astrônomos acreditam que a melhor explicação para a cor e a extrema velocidade da estrela é que ela fazia parte de um sistema triplo que se encontrou com o monstruoso buraco negro do centro da galáxia. A primeira vez que se teorizou que um buraco negro poderia criar uma estrela em hipervelocidade foi em 1988. A teoria afirmava que o buraco negro da Via Láctea ejetaria uma estrela a cada 100 mil anos.

Segundo Brown, o sistema triplo certamente conteria um par de estrelas próximas e uma terceira "amarrada" gravitacionalmente a elas. O buraco negro teria puxado o terceiro astro. O momentum da estrela então foi transferido para as outras duas, o que impulsionou a "fuga" do sistema binário.

As estrelas continuaram, então, sua evolução natural e de maior massa teria se transformado e uma gigante vermelha, que absorveu sua companheira, enquanto as duas se moviam de forma espiral, e, finalmente, se transformaram em uma superestrela azul.

Outras explicações
Quando essa estrela foi descoberta, em 2005, os astrônomos formularam outras hipóteses para o caso como, por exemplo, ela ter sido arremessada da Grande Nuvem de Magalhães, uma galáxia vizinha à nossa.

Em 2008, um time de astrônomos disse ter solucionado o mistério ao descobrir que havia semelhanças entre as características químicas da estrela e as da Grande Nuvem. A posição do astro também indicava que ele vinha da galáxia vizinha, já que estava a "apenas" 65 mil anos-luz dela. Contudo, os novos dados do Hubble colocam mais lenha na fogueira.

Fonte: Redação Terra

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