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26 de outubro de 2010 • 17h53 • atualizado às 18h41

Emissão de gases do efeito estufa crescem 45% em 11 anos no Brasil

Dados do governo consolidam a posição do país como o 5º maior emissor do mundo.

 

Dados consolidam Brasil como o 5º maior emissor do mundo.

As emissões brasileiras de gases que contribuem para o efeito estufa cresceram 45% em 11 anos, de 1994 a 2005, atingindo, no total emitido apenas nesse último ano, 2,19 bilhões de toneladas, indica um levantamento divulgado pelo Ministério da Ciência e Tecnologia nesta terça-feira.

O dado faz parte do inventário de emissões que servirá para atualizar as estatísticas sobre o país na Convenção do clima das Nações Unidas, cujos signatários voltam a se reunir no final de novembro em Cancún, no México.

O novo número consolida a posição brasileira como o 5º maior emissor de gases de efeito estufa do mundo, atrás de China, Estados Unidos, União Europeia e Indonésia.

Esse é o segundo levantamento sobre emissões produzido pelo Brasil. Na última edição, que considerou até o ano de 1994, o volume de emissões registrado nesse ano foi de aproximadamente 1,6 bilhão de toneladas.

Otimismo

Apesar de um crescimento acumulado de 45% em 11 anos, o governo brasileiro acredita que o país poderá fechar o ano de 2009 com 1,77 bilhão de toneladas de gases emitidos, o que representa uma queda de 19% em relação a 2005.

O Palácio do Planalto viu com "otimismo" o fato de o Brasil ter conseguido reduzir o volume de gases emitidos em 2005, na comparação com 2004, após sete anos consecutivos de crescimento das emissões.

Em 2004, esse volume foi de 2,6 bilhões de toneladas.

Mesmo sendo cedo para constatar uma tendência de queda, o número foi comemorado e fará parte dos "trunfos" que o governo brasileiro pretende apresentar na reunião do clima (COP 16), em Cancún.

Além disso, existe ainda a expectativa no governo de que os dados sobre o desmatamento na Amazônia referentes a este ano apontem um novo recorde de queda, o que para muitos no governo também tende a "fortalecer" a posição brasileira entre os negociadores.

De acordo com o levantamento do Ministério da Ciência e Tecnologia, mudanças no uso da terra e florestas, que inclui as consequências do desmatamento, representaram 61% do total de gases do efeito estufa emitidos pelo país em 2005.

O setor agrícola, com queima de resíduos e o manejo de dejetos animais, vem em segundo lugar, com 19% do total, seguido pelo setor energético (15%) e pelo de processos industriais (3%).

No final de 2008, o Brasil assumiu como meta voluntária a redução de até 38,9% de suas emissões até 2020, considerando como base o ano de 1990.

Pessimismo

Governos e ambientalistas estão pessimistas quanto a um acordo formal em Cancún, já que diversos pontos essenciais, como por exemplo metas de redução entre os países ricos, não foram ainda acertados.

"Eu não espero que os grandes líderes do mundo compareçam (à reunião), porque, como não tem acordo, possivelmente ninguém irá se expor", disse o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "Mas eu estarei lá", acrescentou.

O próprio presidente, no entanto, havia cogitado não comparecer à COP 16, em função da baixa possibilidade de um acordo e da ausência dos principais líderes.

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, está entre as prováveis ausências.

O chanceler Celso Amorim, que também participou do evento para divulgação do inventário, disse que as expectativas brasileiras sobre um acordo em Cancún são "modestas".

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