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Dia do Meteorologista: entenda como é feita a previsão do tempo no País

23 mar 2013
12h08
atualizado em 27/3/2014 às 14h49
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A previsão do tempo no Brasil é feita de maneira muito semelhante a outros países. "Conseguimos prever o que vai acontecer na atmosfera resolvendo equações. Institutos de pesquisa ao redor do mundo (incluindo colaboradores brasileiros) desenvolvem programas de computador chamados modelos meteorológicos que possuem essas equações escritas. Os meteorologistas programam o computador para resolver essas equações”, diz Samantha Martins, meteorologista do IAG-USP.

<p>Imagem do cercado meteorológico, que é o local onde ficam os instrumentos de uma Estação Meteorológica convencional</p>
Imagem do cercado meteorológico, que é o local onde ficam os instrumentos de uma Estação Meteorológica convencional
Foto: IAG USP / Divulgação

Para fazer a previsão é necessário um computador rápido. Se usarmos um computador comum é provável que uma previsão para daqui 12h demore mais de 12h para ficar pronta. No entanto, para obter uma previsão de sol, chuva, frio ou calor, também é necessário informações sobre a condição atual da atmosfera.  E, segundo Samantha, é aqui que entra a diferença do Brasil para outros países. Os EUA, por exemplo, possuem satélites meteorológicos monitorando o território, muitos radares meteorológicos e estações meteorológicas. “É exatamente isso que falta no Brasil: dados. Faltam estações meteorológicas, pontos de medição. Não temos um satélite meteorológico, por exemplo,” diz a meteorologista.

Previsão errada

A tarefa de prever o tempo não é fácil e o meteorologista por muitas vezes vira motivo de brincadeiras por “erros” na previsão. Para Samantha, essa história de "previsão errada" é bastante cíclica e sempre "re-aparece no verão, quando a previsão do tempo é de fato mais difícil de ser realizada".

“Os modelos meteorológicos permitem que a gente consiga ter uma ideia do comportamento da atmosfera, mas não uma certeza. E isso deve-se a natureza caótica da atmosfera”, diz a meteorologista. Portanto a previsão pode dar uma ideia do que pode acontecer, mas algum acontecimento aleatório que não foi bem simulado matematicamente pode acontecer. E quando isso ocorre, temos um erro. "Se tivéssemos dados, (mais estações meteorológicas e mais radares), certamente a previsão seria melhor. Sendo assim, o grande problema mesmo é a falta de dados", diz Samantha.

No entanto, mesmo com as dificuldades que ainda existem, a capacidade de prever o tempo e a condição de trabalho melhorou nos últimos anos. Há 30, 40 anos os meteorologistas contavam com os dados medidos (estações meteorológicas, informações das forças armadas, etc) e com a experiência. Hoje, a experiência também conta. Mas no passado ela era essencial. Com esses dados medidos, os meteorologistas desenhavam a mão cartas sinóticas, que possuem informações sobre as variações de pressão e vento. Através destas cartas, determinavam como o tempo de uma região iria variar.

Para a meteorologista do IAG-USP, a crença popular e a experiência não devem ser descartadas quando falamos em previsão do tempo. O agricultor, por exemplo, conhece os sinais que indicam a mudança no tempo de uma região. Sabe quando vai chover, observando a direção do vento e até o comportamento dos animais. Ele também sabe o clima daquela região, pois sabe a melhor época para plantar/colher, já que por observação, conhece o regime de chuvas do local. O meteorologista precisa saber um pouco disso e no passado isso era essencial, já que existiam menos estações meteorológicas, e não existiam satélites ou radares. E os computadores ainda estavam se desenvolvendo.

Formação

A profissão é regulamentada pelo CREA (Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia) e atualmente, segundo dados do Ministério da Educação, existem nove universidades que oferecem o curso de Meteorologia, bacharelado, no País. Sobre a formação do profissional, a meteorologista do IAG-USP explica que o gosto pela física, matemática, programação e informática e de química da atmosfera  é fundamental.  O curso é voltado para quem realmente gosta de ciências exatas. A área de atuação não fica restrita a previsão do tempo, apesar desta ser o carro chefe da profissão. As aplicações são diversas, em áreas como agronomia, geologia, oceanografia, principalmente com o avanço nas mudanças climáticas. Há diversos ramos de trabalho, como no desenvolvimento de novos modelos de previsão. A própria previsão do tempo não se restringe apenas ao fim de semana (ou seja, ao lazer). A indústria também usa os dados para saber se o verão será intenso (e se deve produzir mais sorvete, por exemplo) e para planejar e programar diversas atividades com finalidade econômica.

Auxiliar no monitoramento das chuvas de uma região, para ajudar a determinar a melhor época de plantio, na elaboração de laudos e relatórios, na manutenção e no desenvolvimento de instrumentos meteorológicos, também são funções da carreira.  O profissional da área pode atuar em parceria com a Defesa Civil, monitorando áreas de risco enchentes e deslizamentos, fazendo previsões voltadas para este fim, normalmente monitorando também os níveis dos rios daquela região.

Além disso, hoje fala-se muito no uso de fontes renováveis ou sustentáveis de energia. Pelo menos duas dessas fontes dependem da avaliação de um meteorologista, como é o caso da energia eólica (ventos) e da energia solar. Em ambos os casos, o conhecimento do meteorologista vai ser essencial para ajudar a determinar os locais mais apropriados para a instalação dos equipamentos, para que o uso seja mais eficiente.

Fonte: Terra
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