- Lúcia Müzell
- Direto de Copenhague
Os chefes de Estado e de governo reunidos no último dia da Conferência do Clima de Copenhague, na Dinamarca, aguardam há mais de uma hora pelo discurso do presidente americano Barack Obama, que chegou nesta manhã à capital dinamarquesa.
Apesar de terem ficado negociando um acordo até as 2h da madrugada, os líderes não parecem ter pressa para seguir nas negociações e não começaram a discutir o texto-base que saiu do encontro emergencial promovido pelos presidentes Lula e Nicolas Sarkozy.
A presença de Obama é, ao que tudo indica, essencial, mesmo se a conferência está há algumas horas do fim e um acordo não parece estar próximo.
A participação do presidente americano pode dar um último impulso para destravar as negociações e conseguir um acordo sobre a redução de emissões no evento. No início do último dia de reunião, prosseguem os esforços dos negociadores para redigir um texto final que possa ser submetido à aprovação das 192 delegações que assistem à cúpula.
Cerca de vinte de líderes dos países considerados fundamentais para o acordo se reuniram na noite desta quinta-feira durante três horas a pedido da União Europeia (UE). Entre os países presentes estavam China, EUA, vários africanos, Índia, Japão, Reino Unido, México, França, Alemanha e Dinamarca.
Segundo fontes da UE, os esforços para tentar alcançar um acordo prosseguiram durante toda a noite sem resultados tangíveis e serão retomados nesta sexta. Os principais problemas giram em torno dos números de redução de gases do efeito estufa, o financiamento necessário para reduzir o impacto da mudança climática, adaptar-se a seus efeitos, e sobretudo sobre a transparência do processo.
Os negociadores tentam redigir uma declaração política que ponha sob um mesmo texto as duas vias de negociação que aconteceram durante a cúpula, em torno do Protocolo de Kioto e da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança Climática. O governo dos EUA tentou aplanar o caminho ontem ao anunciar que contribuirá com o "esforço global" dos países ricos de destinar US$ 100 bilhões anuais a partir de 2020 para combater a mudança climática, embora tenha condicionado a oferta a um pacto firme que comprometa a todos os países, sobretudo aos emergentes como a China, exigindo transparência.
Também deixou claro que os fundos devem ir aos países menos desenvolvidos, os mais afetados pela mudança climática, o que foi interpretado como um recado: os EUA não pensam em financiar a China. O país asiático ofereceu ontem "diálogo e cooperação" na hora de comprovar suas reduções de emissões, mas voltou a rejeitar qualquer verificação em seu território nacional pelos estrangeiros ao considerar essa medida como uma ingerência.
EUA e China, os dois maiores poluidores do planeta, são considerados chave para conseguir um acordo em Copenhague.
COP-15
A Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, de 7 a 18 de dezembro, que abrange 192 países, vai se reunir em Copenhague, na Dinamarca, para a 15ª Conferência das Partes sobre o Clima, a COP-15. O objetivo é traçar um acordo global para definir o que será feito para reduzir as emissões de gases de efeito estufa após 2012, quando termina o primeiro período de compromisso do Protocolo de Kyoto.





