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 Cientistas apresentam roda "mais eficiente" em Copenhague
16 de dezembro de 2009 12h15 atualizado às 12h28

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Reinventar a roda não é uma tarefa fácil, mas os pesquisadores do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) estão dedicando seus melhores esforços ao projeto. O laboratório Senseable City, do MIT, projetou uma roda que captura a energia cinética gerada quando um ciclista freia e a acumula para os momentos nos quais ele pode vir a precisar de um empuxo adicional.

Embora o conceito seja sólido em termos tecnológicos, o verdadeiro desafio para a nova roda talvez seja o de conquistar os ciclistas. Afinal, há séculos as bicicletas são amadas por sua simplicidade, e não pelos recursos tecnológicos que ofereçam aos seus usuários.

Mas, como disse Carlo Ratti, o diretor do laboratório, "agora o ciclismo pode se tornar ainda mais efetivo do que foi ao longo do tempo". O que o seu laboratório está desenvolvendo, disse Ratti, é o "Ciclismo 2.0".

A nova roda utiliza um sistema de recuperação da energia cinética, a mesma tecnologia empregada em carros híbridos como o Toyota Prius, a fim de recolher energia que de outra forma seria desperdiçada, quando um ciclista usa o freio ou desce uma encosta em velocidade elevada. Com essa energia, o sistema carrega uma bateria instalada no cubo central da roda.

O esguio cubo de roda desenvolvido pela equipe de Ratti, pintado de vermelho e conhecido como "roda de Copenhague", foi revelado na manhã de terça-feira, em Copenhague. O sistema pode ser instalado na roda traseira de qualquer bicicleta existente, e inclui sensores de acompanhamento da qualidade do ar, um sistema de registro de quilometragem percorrida e uma unidade de navegação GPS para registro de percursos.

Todos esses dados podem ser enviados via Bluetooth para o celular inteligente de um ciclista, e também distribuídos a outros interessados. O laboratório está tentando eliminar o aspecto desajeitado de outras bicicletas elétricas dotadas de baterias pesadas e de cabos canhestros ao inserir toda a tecnologia no interior da roda, disse Christine Outram, a diretora de pesquisa do projeto.

"É uma tecnologia que pode convencer mais pessoas a usar bicicletas", ela disse. Mas outros especialistas demonstram mais ceticismo quanto às possibilidades. "A bicicleta básica é um conceito muito difícil de superar", disse Steve Hed, projetista de rodas para bicicletas e dono da Hed Cycling Products, de Shoreview, Minnesota, uma empresa que criou rodas especiais para astros do ciclismo como Lance Armstrong.

"A moda mais recente entre os adeptos do ciclismo são as bicicletas simples, com marcha única, simples e leves a ponto de permitir que uma pessoa as carregue no ombro quando não estiver montada".

Estamos vivendo um período de mudança no design das bicicletas, disse Jens Martin Skibsted, um projetista dinamarquês que é dono da Biomega, uma fábrica de bicicletas, e do ateliê de design ciclístico Kbisi. Skibsted acredita que, ao longo dos próximos anos, diversos designs novos e populares surgirão para atender a uma população cada vez mais urbanizada que vai tentar reduzir seu uso de automóveis.

Em períodos de mudança como o que está começando, ele disse, "a vitória dificilmente caberá ao produto mais funcional, e em lugar disso ficará com aquele que se tornar parte inerente de nossa cultura". "A roda deles parece bacana", prosseguiu. "Mas é difícil prever se poderá ou não perdurar".

De volta ao MIT, um segundo grupo de pesquisadores está apostando em um modelo diferente de roda, caso a primeira ideia não se prove atraente. Os projetistas envolvidos consideram que seja um exagero utilizar um sistema que recupera energia das freadas.

"O equipamento necessário a recolher a energia de freadas aumenta a massa, a complexidade e o custo do equipamento, e os ganhos de eficiência energética que o método propicia provam ser surpreendentemente limitados", disse William Mitchell, diretor do laboratório SmartCities, do MIT, que se dedica a melhorar a eficiência energética nos ambientes urbanos por meio de novas tecnologias.

Um dos alunos de doutorado de Mitchell, Michael Lin, também está desenvolvendo um projeto de roda elétrica para bicicleta, mas no caso dele a roda teria de ser recarregada em uma tomada.

"É um dos compromissos de projeto que tive de aceitar", ele disse. "Minha prioridade é criar uma bicicleta que se torne uma verdadeira ferramenta de transporte público."

Hed, o veterano projetista de rodas, disse que, se forem produzidas com competência, ideias como a roda de Copenhague ou a GreenWheel, um projeto de roda elétrico do MIT que admite recarga em tomada ou por meio de pedaladas, podem encontrar um nicho de mercado entre os ciclistas que precisem realizar percursos de média distância e em áreas de relevo moderado.

"Seriam opções excelentes para as pessoas que têm um trajeto de 16 quilômetros entre sua casa e o trabalho e não querem chegar ao escritório suando", ele disse.

Os ciclistas mais idosos também seriam um público-alvo interessante para as novas rodas, disse Hed. "Para a minha mãe, seria perfeito", ele afirmou. "Ela adora andar de bicicleta, e em seu caminho normal existe uma ladeira ou duas para as quais as rodas elétricas poderiam ajudar."

The New York Times
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