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 COP-15: co-autor do rascunho, brasileiro discorda de pontos
11 de dezembro de 2009 22h04

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Lúcia Müzell
Direto de Copenhague

O negociador-chefe da delegação brasileira, Luiz Alberto Figueiredo, apresentou nesta sexta-feira os pontos sobre os quais o Brasil discorda oficialmente no relatório preliminar divulgado hoje, do qual ele mesmo foi co-autor, no papel de vice-presidente LCA (Grupo de Trabalho do Acordo de Ação de Longo Prazo, na sigla em inglês). A responsabilidade de Figueiredo no órgão é institucional e vai além da sua função como representante do Brasil.

"O Brasil reconhece no texto várias das suas bandeiras. É um texto equilibrado", disse Figueiredo. "Mas a questão de uma determinação de metas (de redução de emissões de gases de efeito estufa) nos países em desenvolvimento não encontrou simpatia nestes países", afirmou, explicando que a oposição se refere ao fato de que, para se comprometer com objetivos de diminuição das emissões, os países emergentes querem garantias de que terão financiamento externo para adaptar o país para atenuar as mudanças climáticas.

Figueiredo ressaltou que não se trata de o Brasil querer se esquivar das responsabilidades. "Não é uma questão de não querermos fazer, até porque as nossas metas são além desta faixa proposta no documento (entre 15% e 30% até 2020)".

Ele também lamentou que o rascunho não tenha sido claro sobre o financiamento das ações de redução da poluição para os países em desenvolvimento a longo prazo. "Vimos muitos anúncios interessantes sobre curto prazo, mas não pode parar por aí. As mudanças do clima são em si um problema de longo prazo", afirmou Figueiredo.

O negociador acredita que os valores do financiamento só devem ser conhecidos no último dia da conferência. Mas a presença dos ministros de Estado na cúpula, a partir de amanhã, deve impulsionar as propostas concretas de cada país. "O pacote financeiro vai ser possivelmente uma das coisas finais da reunião. A reunião com os ministros deu um impulso para que os valores comecem a ser colocados sobre a mesa".

O brasileiro também destacou que os negociadores só têm um único objetivo na conferência: o consenso. "Caso haja um país que diga que não quer trabalhar sobre esta base (o documento preliminar), não se trabalhará sobre esta base. Temos de ter respeito absoluto e completo por todas as delegações".

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