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 EUA exigem comprometimento em emissões; China cobra oferta
09 de dezembro de 2009 13h36 atualizado às 16h02

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Chefe da delegação americana, Todd Stern, diz que seu país não assinará um acordo que não reflita o compromisso chinês Foto: AP

Chefe da delegação americana, Todd Stern, diz que seu país "não assinará" um acordo que não reflita o compromisso chinês
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Os Estados Unidos exigiram nesta quarta que a China que se comprometa a reduzir suas emissões de gases do efeito estufa no acordo final da cúpula da ONU sobre mudança climática (COP-15) e se opôs a que Pequim tenha acesso às ajudas destinadas aos países em vias de desenvolvimento. Por outro lado, a China exortou o presidente americano, Barack Obama, a aumentar a oferta de corte de emissões de carbono feita pelos EUA, mas o negociador chefe chinês para o clima disse que existe possibilidade de um acordo na conferência.

O chefe da delegação dos EUA, Todd Stern, afirmou que seu país "não assinará" um acordo que não reflita o compromisso chinês, por considerar que, por causa de seu crescimento econômico e pelo nível de poluição que gera, esse país não pode ter as mesmas condições que as outras nações desenvolvidas. Os países industrializados debatem em Copenhague seus objetivos de redução de emissões de dióxido de carbono (CO2), assim como o financiamento das medidas de adaptação à mudança climática dos países em vias de desenvolvimento.

"Não vejo por que se vai destinar dinheiro em ajudas à China", disse Stern, acrescentando que, na sua opinião, esse país não deve ser "candidato a receber dólares públicos americanos". Acrescentou que "o lógico" é que as ajudas de mitigação e adaptação à mudança climática sejam destinadas aos "países mais necessitados", uma categoria da qual acredita que a China não faz parte.

Referiu-se ao "extraordinário crescimento" registrado pela economia chinesa e, ao mesmo tempo, criticou que Pequim - o "país mais poluente do mundo" - exija dos EUA um maior compromisso ambiental, enquanto suas emissões de CO2 aumentam exponencialmente. Os EUA propuseram reduzir suas emissões em 2020 em 17% a respeito dos níveis de 2005, uma proposta considerada insuficiente pela maioria dos países, que adotam o ano de 1990 para comparação.

Stern explicou que Washington não estará em condições de aumentar seu compromisso até que seu novo projeto de lei supere o trâmite parlamentar no Senado americano, mas disse que, após esse texto entrar em vigor, poderão comunicar à ONU um aumento desses objetivos. A China propôs reduzir entre 40% e 45% a intensidade energética (emissão de CO2 por unidade de PIB) em 2020 com relação aos níveis de 2005, um objetivo criticado pela União Europeia (UE) e pelos EUA, que o consideraram pouco ambicioso.

O chefe da delegação europeia, o sueco Anders Turesson, lamentou que China "está boicotando" o diálogo sobre medidas de mitigação entre UE e EUA. Segundo Turesson, os países industrializados que negociam as medidas de mitigação do texto final "não têm um fórum válido" para negociar com os EUA, já que esse país não participa das reuniões do Protocolo de Kioto, e os países emergentes como a China se opõem a que essas questões sejam debatidas dentro da ONU.

Xie Zhenhua afirmou nesta quarta-feira que a China quer desempenhar um papel construtivo nas negociações do clima de 7 a 18 de dezembro, nas quais um resultado positivo depende em grande parte de um acordo entre Estados Unidos e China, que, juntos, emitem 40% dos gases causadores do efeito estufa no mundo. "Espero realmente que o presidente Obama possa trazer uma contribuição concreta para Copenhague", disse Xie. Indagado se isso significa algo além do que Obama já propôs - um corte de 3% até 2020 em relação aos níveis de 1990 -, Xie disse "sim".

Xie também disse que a China pode aceitar como meta reduzir suas emissões pela metade até 2050, desde que os países desenvolvidos elevem suas metas de redução de emissões até 2020 e concordem em financiar ajuda ao mundo em desenvolvimento para combater as mudanças climáticas. "Não negamos a importância de uma meta de longo prazo, mas acho que uma meta de médio prazo é mais importante. Precisamos resolver o problema imediato", afirmou.

"Se as demandas dos países em desenvolvimento puderem ser satisfeitas, acho que poderemos discutir uma meta para cortar as emissões em 50% até 2050", acrescentou. Xie, vice-presidente do poderoso superministério do planejamento econômico da China, a Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma (CNDR), disse ainda que gostaria que os paises ricos cortassem suas emissões até 2020 em 25% a 40% abaixo dos níveis de 1990.

Ele afirmou que preferiria um acordo final, legalmente compulsório, no encontro em Copenhague, mas que, se isso não for possível, a definição do prazo final de junho do próximo ano para ser completado um tratado completo "seria muito boa". Xie rejeitou uma proposta da ONU de financiamento acelerado de US$ 10 bilhões por ano a partir de 2010-2012 como "insuficiente".

COP-15
A Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, de 7 a 18 de dezembro, que abrange 192 países, vai se reunir em Copenhague, na Dinamarca, para a 15ª Conferência das Partes sobre o Clima, a COP-15. O objetivo é traçar um acordo global para definir o que será feito para reduzir as emissões de gases de efeito estufa após 2012, quando termina o primeiro período de compromisso do Protocolo de Kyoto.

Com informações das agências EFE e Reuters

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