De Boer pede que delegados fechem conteúdo básico de acordo ainda esta semana
Foto: AP
O chefe da ONU para o clima, Yvo de Boer, afirmou nesta terça-feira que as empresas americanas deveriam desejar um acordo internacional em Copenhague, depois da decisão de seu país de autorizar a regulação dos gases-estufa. "Se eu fosse empresário, diria: 'por favor, por favor, cheguem a um acordo em Copenhague, um acordo que esteja baseado no mercado do carbono", ironizou De Boer, durante uma coletiva de imprensa.
"Se não conseguirmos um acordo aqui e se o Senado não conseguir adotar a Lei do Clima, a única única opção será a regulação e todos nós sabemos que é muito mais caro e será muito menos eficaz para o mercado", acrescentou.
O anúncio de que o governo americano vai começar a regular as emissões de dióxido de carbono e outros gases causadores do efeito estufa, depois de classificá-las de prejudiciais para a saúde pública, foi recebido como um sinal estimulante para as negociações do clima em Copenhague.
A decisão abre caminho para que a Agência de Proteção Ambiental (EPA) americana estabeleça os padrões sobre quanto dióxido de carbono as fábricas, lares e veículos podem emitir, apesar de o Congresso ainda ter de se pronunciar a respeito. Mas isso dá ao presidente Barack Obama, que viaja a Copenhague na próxima semana, um maior respaldo para as promessas americanas sobre emissões.
De Boer pediu ainda aos delegados dos 192 países que negociam um acordo na cúpula da ONU que fechem o conteúdo básico esta semana, e só deixem os assuntos políticos para os últimos dias.
De Boer pediu aos delegados para "fazer o máximo trabalho possível" e colocar clareza nos pontos essenciais sobre adaptação, mitigação, tecnologia, financiamento, florestas e capacitação, de modo que, quando os ministros do Meio Ambiente chegarem a Copenhague, nos dias 12 e 13, só faltem a ser discutidas questões políticas.
A COP-15, inaugurada ontem, teve um "bom começo", segundo De Boer, que ressaltou o apoio crescente entre os países ricos a uma ajuda anual para 2010-2012 de US$ 10 bilhões. Os principais empecilhos nas negociações apontam para o financiamento a longo prazo e a redução de emissões, afirmou De Boer, em entrevista coletiva.
Também reiterou que os anúncios feitos até agora pelos países ricos não são suficientes e estão longe do limite de entre 25% e 40% de cortes a respeito de 1990 proposto pela ONU.
De Boer ressaltou que o acordo que sair de Copenhague deve incluir uma lista completa de compromissos individuais de cada país e estabelecer mecanismos efetivos para garantir o cumprimento.
O financiamento aos países em desenvolvimento e pobres não deve ser parte da ajuda prometida para reduzir a pobreza, e deve incluir dinheiro procedente de recursos públicos, afirmou De Boer.
De Boer negou que a polêmica dos e-mails da Unidade de Pesquisa Climática (CRU, em inglês) da Universidade de East Anglia (Reino Unido) tenha prejudicado a credibilidade do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC).
Os e-mails do CRU divulgados na internet, que sugerem uma tentativa de esconder certos documentos sobre mudança climática dos responsáveis da ONU, só afetariam o quarto relatório do IPCC, mas De Boer lembrou que há centenas de pesquisadores colaborando com este organismo e que sua força científica "é sólida como uma rocha".
COP-15
A Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, de 7 a 18 de dezembro, que abrange 192 países, vai se reunir em Copenhague, na Dinamarca, para a 15ª Conferência das Partes sobre o Clima, a COP-15. O objetivo é traçar um acordo global para definir o que será feito para reduzir as emissões de gases de efeito estufa após 2012, quando termina o primeiro período de compromisso do Protocolo de Kyoto.
Com as agências AFP e EFE
















