PUBLICIDADE

Cratera rara que forma cerro no RS foi formada por meteorito

13 mar 2010 18h12
| atualizado às 18h17
Publicidade

Pesquisadores do Instituto de Geociências (IG) da Unicamp confirmaram que a origem geológica do Cerro do Jarau, localizado no município gaúcho de Quaraí, na fronteira entre o Brasil e o Uruguai, é meteorítica. Os pesquisadores, que estudam a cratera desde 2007, estão buscando material rochoso com características próprias para datação geocronológica, o que eventualmente poderá fornecer informações mais precisas sobre a época do impacto do meteorito.

Cerro do Jarau, localizado no município gaúcho de Quaraí, na fronteira entre o Brasil e o Uruguai
Cerro do Jarau, localizado no município gaúcho de Quaraí, na fronteira entre o Brasil e o Uruguai
Foto: Prefeitura Municipal de Quaraí / Reprodução

"Com base na idade das rochas mais jovens afetadas pelo impacto, podemos dizer que o impacto ocorreu há várias dezenas ou até uma centena de milhões de anos", diz o pesquisador Álvaro Crósta, que atualmente coordena uma equipe composta por vários especialistas internacionais.

De acordo com o pesquisador, com essa descoberta, o número de crateras meteoríticas no Brasil subiu para seis, o que nos permite começar a desvendar um pouco melhor o nosso passado geológico. Além disso, trata-se da quarta cratera formada em rochas basálticas em todo nosso planeta, sendo que três delas encontram-se no sul do Brasil: Vargeão, em Santa Catarina; Vista Alegre, no Paraná, e agora Cerro do Jarau, no Rio Grande do Sul.

"Esse tipo de rocha é bastante comum na superfície de outros corpos planetários, mas não na Terra. A análise dos processos de deformação relacionados à formação das crateras basálticas do sul do Brasil pode eventualmente auxiliar na compreensão da evolução da superfície de muitos outros corpos planetários, como a Lua, Marte, Vênus e outros corpos sólidos", diz o professor.

Segundo o pesquisador, as evidências que comprovam a origem meteorítica de Cerro do Jarau são estruturas de deformação que ficam gravadas de forma permanente nas rochas e minerais existentes no local do impacto. De acordo com Álvaro Crósta, algumas dessas estruturas são visíveis apenas ao microscópio. Essas deformações são decorrentes da quantidade muito elevada de energia liberada no processo, quantidade essa muito superior à energia de quaisquer outros tipos de eventos geológicos (terremotos, erupções vulcânicas, etc.). Por esse motivo, elas são utilizadas como evidências diagnósticas de eventos de impacto.

"Como o acesso direto a essas superfícies é difícil, pode-se inferir informações importantes usando as crateras basálticas terrestres como análogos das suas similares lunares ou marcianas", explica.

Durante algum tempo, os cientistas suspeitavam da ligação entre impactos meteoríticos e a extinção de formas de vida, mas há cerca de 15 anos, a comprovação dessa relação em pelos menos um desses eventos de extinção foi feita com a descoberta da cratera de Chicxulub, no Golfo do México. A idade dessa cratera é de 65 milhões de anos, exatamente a mesma da grande extinção que eliminou da Terra, entre outras formas de vida, os dinossauros.

No Brasil, não há nenhuma cratera meteorítica suficientemente grande para provocar um evento de extinção em massa da vida. De todo modo, é possível que as crateras brasileiras tenham produzido efeitos regionais com relação à extinção de formas de vida existentes na época do impacto.

"Estamos apenas no início dos estudos de Cerro do Jarau, e temos a expectativa de que informações novas e interessantes venha surgir dos resultados que esperamos obter nos próximos anos", declara o professor.

A comprovação rendeu a produção de um artigo que deverá compor a próxima edição do livro Large Meteorite Impacts IV a ser lançada, em março, pela Sociedade Geológica da América (GSA).

Fonte: Redação Terra
Publicidade