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Coquetel de remédios reduz risco de transmissão de HIV de mãe para filho

2 mar 2011
18h05
atualizado às 19h27

Cientistas americanos descobriram que um coquetel com vários remédios antirretrovirais reduz em mais de 50% a probabilidade de que uma criança cuja mãe é portadora de HIV seja infectada.

A descoberta foi apresentada nesta quarta-feira durante a 18ª Conferência sobre Retrovirus e Infecções Oportunistas, realizada nesta semana em Boston, Massachusetts.

Pesquisadores do Instituto Nacional de Saúde dos EUA (NIH, na sigla inglês) realizaram um estudo em hospitais do Brasil, África do Sul, Argentina e Estados Unidos com 1.684 crianças nascidas de mulheres que não tinham tido o vírus diagnosticado até dar à luz.

As mulheres grávidas com HIV podem receber tratamento prévio para evitar que o bebê seja contaminado, no entanto, aquelas mães que não sabem que estão infectadas até dar à luz perdem essa oportunidade.

Nesses casos, os bebês costumam receber tratamento pouco tempo após nascer com zidovudina, o primeiro remédio antirretroviral aprovado em 1987, para evitar que a criança também seja contaminada.

No entanto, segundo a nova pesquisa, se for acrescentada à zidovudina outros remédios como nevirapine, lamivudine e nelfinavir, as possibilidades de sucesso aumentam em 50%.

"Para reduzir a transmissão do HIV de mãe para filho, o melhor é o tratamento antirretroviral durante a gravidez", assinalou Heather Watts, médico da área de aids do centro Eunice Kennedy Shriver National Insitute of Child Health and Human Development (NICHD).

"No entanto, quando o tratamento durante a gravidez não é possível, nossos resultados mostram que acrescentando um ou dois remédios aos tratamentos atuais, a possibilidade do HIV ser transmitido de mãe para filho é reduzida drasticamente".

Os médicos diviviram as crianças em três grupos aleatórios e deram a elas tratamentos diferentes.

As primeiras receberam o tratamento habitual de zidovudina durante seis semanas; outro grupo, zidovudina mais três doses de nervirapine durante a primeira semana de vida; e o último, seis semanas de zidovudina mais duas de lamivudine e nelfinavir.

O estudo mostrou que nos tratamentos com dois ou mais tipos de remédios, a transmissão do HIV se reduziu em 50%.

A proporção de crianças infectadas aos três meses foi de 4,9% entre as que receberam apenas zidovudina; de 2,2% nas que receberam zidovudina+nervirapine; e de 2,5% nas que tomaram zidovudina+lamivudine+nelfinavir.

Segundo dados do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC, em inglês), uma em cada cinco pessoas nos Estados Unidos infectadas pelo HIV não sabe que é portadora do vírus.

O Fundo da ONU para a Infância (Unicef) indicou que apenas 21% das mulheres de baixa renda e de países em desenvolvimento fazem teste de HIV durante a gravidez.

Nos Estados Unidos, nascem anualmente entre 100 e 200 crianças com HIV, a maioria de mulheres que não fizeram o exame ou que não receberam tratamento durante a gravidez.

EFE   

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