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Vanuatu tenta se recuperar após passagem de ciclone; presidente pede ajuda

16 mar 2015
17h12
atualizado às 17h12
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O presidente de Vanuatu fez um apelo à comunidade internacional nesta segunda-feira, após a passagem devastadora do ciclone Pam por esse arquipélago do Pacífico Sul, que deixou 24 mortos, e onde as organizações humanitárias enfrentam grandes dificuldades para ajudar os sobreviventes.

Bastante comovido, o presidente Baldwin Lonsdale explicou que a situação é catastrófica.

"Agora, do que mais necessitamos é de ajuda humanitária, e as necessidades humanitárias são imperativas. No longo prazo, precisamos de apoio financeiro e de ajuda para começar a reconstruir nossas infraestruturas. Temos de reconstruir tudo", disse Baldwin à AFP antes de deixar o Japão, onde participava de uma reunião da ONU justamente sobre a prevenção de catástrofes naturais.

Acompanhado de tempestades de vento superiores a 320 km/h, o ciclone de categoria 5 - a mais alta da escala - devastou o arquipélago de 270 mil habitantes na última sexta-feira.

"Há pelo menos 24 vítimas fatais confirmadas. Onze são originárias de Tafea; oito, de Efate; e cinco, de Tanna", declarou o Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (UNOCHA, na sigla em inglês).

Segundo as equipes de resgate, 90% das casas ficaram danificadas em Port-Vila, capital do país.

A ajuda já começou a chegar à capital do país, mas os funcionários das ONGs destacaram a falta de recursos para conseguir distribuir o material nas ilhas mais afastadas desse Estado insular, um dos mais pobres do mundo.

As necessidades de água potável, banheiros portáteis e pastilhas de purificação de água devem ser determinadas rapidamente, relatou o diretor da ONG Oxfam em Vanuatu, Colin Colette.

As organizações temem uma propagação das doenças.

"A primeira urgência era o ciclone; a segunda, as doenças, caso a água potável e as condições de higiene continuem insuficientes", completou Colette, que citou 100 mil pessoas desabrigadas.

Mais de 3.000 pessoas estavam nesta segunda-feira em 37 abrigos, e missões de avaliação aérea foram feitas por aviões militares que saíram da Nova Caledônia, da Austrália e da Nova Zelândia.

Segundo o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), a catástrofe pode atingir até 60 mil crianças - particularmente vulneráveis neste país pobre, onde as taxas de desnutrição são bastante elevadas.

Para o diretor da organização Save the Children, Tom Skirrow, as condições são piores do que nas Filipinas em novembro de 2013, quando o supertufão Haiyan arrasou o arquipélago e deixou 7.350 mortos e desaparecidos.

"Estive lá após o Haiyan e posso dizer que a logística é muito mais complicada aqui", disse à AFP.

Mais cedo, o presidente de Vanuatu declarou que a mudança climática foi um fator-chave na devastação sofrida pelo país durante a passagem do ciclone Pam.

"A mudança climática está contribuindo para o desastre em Vanuatu", disse ele a uma emissora de televisão australiana.

Essa constatação também feita pelo presidente das Ilhas Seychelles, James Michel, que pediu nesta segunda-feira que a comunidade internacional "acorde".

O ciclone Pam "é uma manifestação clara das mudanças climáticas que alguns continuam a negar", avaliou. "Hoje, é o Pacífico Sul, amanhã podemos ser nós", alertou o chefe de Estado desse arquipélago do oceano Índico.

As comunicações continuavam interrompidas na maior parte de Vanuatu, embora o aeroporto de Port Vila tenha sido reaberto para voos comerciais.

O Reino Unido prometeu dois milhões de libras esterlinas (cerca de R$ 9,6 milhões), a União Europeia, 1 milhão de euros (R$ 3,4 milhões), e a Nova Zelândia, US$ 730 mil (cerca de R$ 2,3 milhões). A Austrália anunciou uma ajuda de 5 milhões de dólares australianos (R$ 11,6 milhões).

O Fundo Monetário Internacional (FMI) se disse disposto a disponibilizar uma ajuda em caráter de emergência para o arquipélago e a colaborar para "reconstruir a economia nos meses que vêm".

Sem esperar, os moradores de Port Vila já se empenhavam nesta segunda-feira para "ir às ruas e varrer os escombros". É o que conta o diretor da ONG Care Austrália, Tom Perry: "ontem o clima era triste, mas hoje já há um ar de 'mãos à obra'".

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