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Geleiras da Groenlândia podem estar derretendo mais devagar

3 mai 2012
18h01
atualizado às 18h06
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Um estudo realizado ao longo de 10 anos sobre as geleiras da Groenlândia sugere que elas podem estar derretendo mais lentamente do que se pensava, e, sendo assim, a elevação do nível do mar seria menos pronunciada do que o previsto nos piores cenários, segundo estudo divulgado nesta quinta-feira.

A rapidez no derretimento das geleiras depende, em grande medida, da rapidez com que estas se movem, indicou a pesquisa publicada na revista Science, que mostra que este fenômeno levaria a um aumento de 0,8 m do nível do mar em 2100 e não de 2 m, como alguns cientistas afirmaram anteriormente.

Os cientistas examinaram dados coletados entre 2000 e 2011 de satélite de Canadá, Alemanha e Japão, e descobriram que as maiores geleiras da Groenlândia, que terminam em terra firme, se movem mais lentamente, entre 9 e 100 m por ano.

As geleiras que terminaram em plataformas de gelo se movem mais rapidamente, de 305 m a 1,6 km por ano. "Até agora, estamos vendo um aumento da velocidade, em média, de cerca de 30% em 10 anos", disse a principal autora do estudo, Twila Moon, doutoranda da Universidade de Washington. As geleiras que se movem mais rapidamente liberam mais gelo e água de degelo nos oceanos do que os que se movem lentamente.

Moon decidiu fazer seu estudo em face da grande variação das estimativas anteriores sobre a velocidade de derretimento das geleiras da Groenlândia, que calculam de 10 a 48 cm de aumento no nível do mar até 2100.

Segundo ela, uma boa compreensão do que acontece é necessária para entender os efeitos das mudanças climáticas. No entanto, embora o estudo tenha esclarecido como as geleiras se movem e derretem segundo diferentes velocidades, ainda restam muitas perguntas sobre como isto pode afetar o nível do mar nas décadas futuras.

"Faz-se a advertência de que um estudo de 10 anos é muito breve para entender realmente o comportamento a longo prazo", argumentou o coautor do estudo, Ian Howat, professor assistente da Ohio State University.

"Assim, poderiam ocorrer eventos futuros - pontos de inflexão - que fariam com que a velocidade (de derretimento) das geleiras continuasse aumentando", acrescentou. "Ou talvez algumas das grandes geleiras no norte da Groenlândia, que ainda não mostraram nenhuma mudança, comecem a acelerar sua velocidade (de derretimento), o que aumentaria a taxa de elevação do nível do mar", informou. A pesquisa foi financiada pela agência espacial americana (Nasa) e pela Fundação Nacional de Ciência dos Estados Unidos.

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