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Conferência do clima termina em Bonn com misto de otimismo e decepção

14 jun 2013
17h04
atualizado às 20h23
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As negociações para um pacto climático global terminaram esta sexta-feira com delegados reivindicando progressos, embora uma contenda processual com a Rússia tenha bloqueado importantes partes dos trabalhos em Bonn.

Faltando apenas 900 dias para o fim do prazo para a assinatura do mais ambicioso acordo ambiental das Nações Unidas, em 2015, as negociações na cidade alemã visavam a criar as bases para uma conferência em nível ministerial prevista para ocorrer em novembro em Varsóvia.

Previsto para entrar em vigor em 2020, o acordo vincularia pela primeira vez todos os países do mundo em torno de metas mensuráveis para conter as emissões de gases de efeito estufa, responsáveis pelo aquecimento global.

O acordo pretende evitar os efeitos mais catastróficos das mudanças climáticas causadas pelo aquecimento - aumento das secas, inundações, tempestades e elevação do nível do mar - alcançando a meta de limitar o aquecimento global a 2ºC com relação a níveis pré-industriais.

Delegados e autoridades indicaram um clima positivo que os ajudou a explorar os vastos contornos de um acordo.

"Estamos animados com o progresso que têm sido alcançado aqui", disse a jornalistas Christiana Figueres, presidente da Convenção-quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (UNFCCC).

Mas houve insatisfação com a objeção da Rússia que paralisou um dos três grupos de trabalho durante o encontro de 12 dias.

O Corpo Subsidiário de Implementação (SBI, na sigla em inglês) acabou jogando a toalha na terça-feira, depois de mais de uma semana de contendas sem avançar nos trabalhos.

Acusada de estabelecer políticas que comprometam os objetivos de conter o aquecimento global, a Rússia tinha insistido que a discussão sobre o procedimento fosse adicionada à agenda da SBI em Bonn.

Os russos foram apoiados pelos ucranianos e pelos bielo-russos. Moscou repudiou a forma como terminou, em dezembro, a última grande conferência sobre o clima, realizada em Doha, no Qatar, depois que o presidente aprovou um acordo, apesar das objeções dos russos.

"É um recuo lamentável, pois significa que nenhum trabalho formal foi feito", afirmou o delegado climático europeu, Jurgen Lefevere, a respeito do bloqueio russo. A Europa propôs uma pressão diplomática para convencer a Rússia a permitir a retomada do SBI em Varsóvia.

A SBI deveria iniciar uma discussão sobre um mecanismo global para compensar os países pelas perdas e danos provocados pelas mudanças climáticas, assim como esboçar o orçamento 2014-2015 do secretariado da UNFCCC.

Também deveria trabalhar em uma revisão sobre se a meta da ONU de 2ºC deveria ser baixada para 1,5ºC, mais seguro. "Perdemos discussões muito importantes que deveriam ter acontecido", disse Azeb Girmai, representando um grupo de países pouco desenvolvidos.

"Pessoas estão morrendo enquanto falamos; territórios e ilhas estão perdendo sua capacidade produtiva", acrescentou. Mas os delegados pareceram otimistas sobre as conversas exploratórias realizadas em um fórum mais amplo, o Grupo de Trabalho Ah Hoc sobre a Plataforma de Durban (ADP).

Segundo um comunicado da UNFCCC, "avanços concretos" foram feitos na direção de um novo pacto climático. "Apesar do impasse, esta foi uma sessão produtiva e as partes trabalharam juntas", afirmou o negociador irlandês David Walsh.

Figueres reforçou que continua sendo possível fechar o abismo entre os compromissos de governo para conter os gases de efeito estufa e os cortes atualmente necessários.

A Europa sugeriu um sistema híbrido combinando elementos de uma abordagem "de baixo para cima", favorecida pelos Estados Unidos, em que os próprios países determinam sua contribuição, e uma abordagem "de cima para baixo", que situaria as metas nacionais sob forte escrutínio.

Segundo a ideia europeia, os países determinariam seus próprios compromissos, mas estes seriam revistos por seus pares antes de serem firmados no âmbito do novo acordo vinculante.

O grupo ambientalista Greenpeace exigiu mais urgência. "Gostaríamos de ver um pouco da aceleração da crise (do clima) refletida nas negociações", disse a alta conselheira política do Greenpeace, Ruth Davis.

Isto incluiu países ricos pedindo dinheiro para ajudar nações em desenvolvimento a se adaptar aos impactos do clima provocados pelo aquecimento global causado pelo homem, disse Davis.

As negociações em Bonn ocorrem enquanto inundações castigavam parte da Europa Central, inclusive a Alemanha, país sede da conferência.

Figueres anunciou esta sexta-feira que o Peru abrigará as negociações em nível ministerial de 2014. Em 2015, será a vez da França.

AFP   

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