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Cientistas: cidades são parte da solução contra aquecimento

18 mai 2009
16h14
atualizado às 16h52

A redução das emissões de gases de efeito estufa deve incluir açõesespecíficas para as cidades, com valorização de iniciativas locais. Aavaliação é de pesquisadores, representantes da sociedade civil e degovernos que defenderam nesta segunda (18) mais integração de governos locais nas negociações internacionais sobre mudanças climáticas.

Além do contingente populacional que abrigam a Organização das NaçõesUnidas (ONU) constatou que a maioria da população mundial já vive em áreasurbanas as cidades concentram o consumo de energia, o uso decombustíveis fósseis para transporte e avançam sobre áreas debiodiversidade preservada, consideradas sumidouros naturais de carbono.

"Cerca de 75% das emissões globais se originam nas cidades ou para as cidades. Elas certamente também são parte da solução; são os locais onde as soluções têm que ser buscadas", afirmou o climatologista Carlos Nobre,do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) em apresentaçãodurante o Encontro Nacional Política Pública pelo Clima.

O secretário geral do Conselho Internacional de Governos Locais pelaSustentabilidade (Iclei), Gino Van Begin, argumentou que os governoslocais são a esfera mais próxima dos cidadãos, e por isso fundamentaispara a implementação de ações práticas em mudanças climáticas.

No Brasil, o potencial das grandes cidades para redução das emissões degases de efeito estufa ainda é subutilizado, de acordo com apesquisadora da Coordenação dos Programas de Pós-Graduação emEngenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro(Coppe/UFRJ), Carolina Dubeux.

"Há pelo menos dois setores com grande potencial de benefícios econômicos se houver mecanismos de eficiência: os aterros sanitários e ostransportes", citou. O aproveitamento do metano liberado pelo lixo, porexemplo, além de fornecer energia elétrica pode gerar créditos decarbono, negociáveis no mercado internacional.

Outros exemplos de ações locais contra os impactos das mudanças climáticas são o estímulo a construções sustentáveis e adoção de padrões de consumo que privilegiem produtos com certificação ambiental.

O Iclei pretende incluir as experiências locais na negociação da ONU que deverá definir o substituto para o Protocolo de Quioto, em dezembroem Copenhague, na Dinamarca.

Segundo Van Begin, apesar de a decisão caber às diplomacias representando governos nacionais  as negociações terão impactos diretos sobre as cidades. "Até Copenhague, há um processo de negociação para se chegar a um acordo. Os governos locais estão tentando passar mensagens a seus governos nacionais para que discutam a melhor maneira de incluir as cidades nesse acordo", afirmou.

Van Begin defende mais acesso dos governos locais às fontes definanciamento para adaptação aos impactos das mudanças climáticas. "Oponto central é que na reunião da ONU se reconheça o papel dos governoslocais e as experiências já realizadas. É preciso estabelecermecanismos legais que regulamentem o acesso de governos locais aosrecursos", argumentou.

Agência Brasil Agência Brasil

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