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Cern qualifica de 'histórica' a descoberta de uma nova partícula

4 jul 2012
06h40
atualizado às 17h31
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O diretor-geral do Centro Europeu de Pesquisa Nuclear (Cern), Rolf Heuer, qualificou nesta quarta-feira de avanço "histórico" a descoberta de uma nova partícula consistente com o bosón de Higgs, chave para entender a formação do Universo, mas alertou que ainda resta muito trabalho a ser feito.

Imagem mostra uma representação com um efeito zoom de vestígios de uma colisão próton-próton na busca do bóson de Higgs
Imagem mostra uma representação com um efeito zoom de vestígios de uma colisão próton-próton na busca do bóson de Higgs
Foto: AFP

Do elétron ao bóson de Higgs: veja a evolução da Física de Partículas

Isto representa um avanço fenomenal "em nossa compreensão da natureza", declarou Heuer. "A descoberta de uma partícula consistente com o bosón de Higgs abre o caminho para estudos mais detalhados, mas requer maiores estatísticas para esquadrinhar as propriedades da nova partícula. Além disso, é provável que jogue uma luz sobre outros mistérios do Universo", comentou.

O Cern apresentou nesta quarta em uma conferência científica os resultados dos experimentos Atlas e CMS, que buscam há anos, de maneira paralela, mas independente, provas da existência da chamada "partícula de Deus".

Com esses resultados, é praticamente um fato que a partícula anunciada corresponde à descrita por Peter Higgs na década de 1960, sobre a qual repousa o modelo padrão da Física de Partículas. "Temos de nos sentir orgulhosos e felizes", comentou Heuer, para em seguida destacar que "isso é um início" e que "há muito trabalho pela frente" para os experimentos CMS e Atlas durante os próximos meses.

Os responsáveis do Cern decidiram na última terça-feira prolongar o funcionamento do Grande Colisor de Hádrons (LHC) durante mais três meses para recolher uma maior quantidade de dados e poder analisar as propriedades da nova partícula com mais detalhe e precisão. O LHC deveria ser desligado no terceiro trimestre deste ano, mas agora seguirá pelo menos até o final de 2012 para tentar confirmar com toda certeza a descoberta do bosón de Higgs. Essa partícula permite resolver diversas incertezas científicas sobre a formação do universo e aumenta a compreensão sobre a formação da massa.

O bóson de Higgs
O escocês Peter Higgs previu em um artigo publicado em 1964 no periódico científico Physical Review Letters que é uma partícula o que dá massa à matéria. Chamada de bóson de Higgs, em homenagem ao britânico, ela é mais conhecida como "partícula-Deus" ou "partícula de Deus" (esse segundo mais no Brasil) e seria a última peça no quebra-cabeça do Modelo Padrão, a teoria que descreve as partículas elementares.

Segundo o Modelo Padrão, os bósons são as partículas que interagem com outras e criam as forças fundamentais - forte e fraca, que atuam no núcleo atômico, e eletromagnética (há ainda a gravidade, para a qual alguns teóricos defendem existir o gráviton, ainda não comprovado). Higgs afirmou que a massa não seria das próprias partículas, mas resultado da ação de um bóson que reage mais com umas do que com outras.

Como isso ocorre? Os físicos explicam que as partículas colidem com o bóson de Higgs e ficam mais lentas, o que lhes dá massa - e isso difere elas das partículas de pura energia, como o fóton. Algumas colidem mais, outras menos, e isso explica a diferença na massa.

Tendo como primeiro objetivo achar o bóson de Higgs, o Centro Europeu de Pesquisa Nuclear (Cern, na sigla em francês) construiu o LHC, um dos experimentos científicos mais caros da história.

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EFE   
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