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Calor que atingiu Baltimore em 2007 foi motivado por "vizinhos"

Cientistas

2 jan 2010
14h04
atualizado às 14h08
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Enquanto a maior parte da Europa e da América do Norte está no meio de uma onda de frio, pesquisadores tentando entender uma onda de calor que atingiu o nordeste dos Estados Unidos em 2007 descobriram que as altas temperaturas de Baltimore foram exacerbadas pela presença de seus vizinhos, Washington, D.C., e Columbia, Maryland.

As cidades estão ficando cada vez mais quentes
As cidades estão ficando cada vez mais quentes
Foto: Nature

O meteorologista Da-Lin Zhang, da Universidade de Maryland em College Park, e seus colegas usaram um modelo meteorológico tridimensional para investigar como o clima e a temperatura mudam ao longo do tempo em Baltimore e na região de Washington. Baltimore está cerca de 100 km a nordeste de Washington, e Columbia fica aproximadamente na metade do caminho entre as duas cidades.

Zhang queria observar o efeito da ilha de calor, um fenômeno no qual áreas urbanas se tornam muito mais quentes do que áreas rurais ao redor durante a época de calor. Seus modelos incluíam dados sobre o uso do solo nessa ampla área. Superfícies irregulares - quer sejam cobertas por árvores, água ou edifícios - afetam o clima na superfície, e ele conseguiu uma precisão de 500 metros no modelo.

Então, usando dados de 7 a 10 de julho de 2007, quando a área foi atingida por uma onda de calor, Zhang usou os modelos para simular as condições do tempo no período. Essa onda de calor foi "horrível e perigosamente quente", segundo Russell Dickerson, químico atmosférico e coautor do estudo, que está publicado no Geophysical Research Letters .

Calor estagnado
Os modelos confirmaram que o calor havia sido maior em Baltimore do que em Washington. Baltimore chegou a 37,5 C enquanto Washington teve uma temperatura relativamente mais amena, de 36,5 C. Além disso, a qualidade do ar em Baltimore foi muito pior, com os níveis de ozônio chegando a 125 partes por bilhão (ppb) em comparação a 85 ppb em Washington. A Agência Americana de Proteção Ambiental recomenda um nível máximo de ozônio na superfície de 75 ppb. As quantidades de material particulado em Baltimore também foram mais altas do que em Washington.

"O efeito da ilha de calor foi pior em Baltimore do que em Washington", disse Dickerson, e isso não pode ser explicado simplesmente pela física dos edifícios e das superfícies rodoviárias de Baltimore, ele acrescentou. O efeito é necessariamente uma consequência da dinâmica do clima na área.

Os ventos predominantes na região em julho de 2007 vinham do sudoeste. Também houve uma brisa vinda da Baía de Chesapeake, a leste de Baltimore. O modelo mostrou que o ar quente das duas ilhas de calor de Washington e Columbia foi transferido para Baltimore pelo vento predominante e se estagnou por causa da brisa da baía, fazendo as temperaturas se elevarem e a poluição permanecer sobre a cidade, que também ficou sujeita à sua própria ilha de calor.

Quando Zhang e sua equipe substituíram Washington por árvores em outra simulação, a temperatura esfriou em Baltimore. O efeito da ilha de calor foi reduzido em 25% e a cidade ficou 1,25 C mais fria.

"A ilha de calor urbana é um fenômeno conhecido, mas se acreditava que ela fosse algo bem pontual", disse Gabriele Curci, que estuda qualidade do ar e transporte de poluição na Universidade de L¿Aquila, Itália. Ele sugere que esse trabalho irá ajudar a decidir quais os melhores lugares para instalar balões de monitoramento da qualidade do ar.

"É bom saber que a ilha de calor urbana não tem apenas um efeito local", disse Susanne Grossman-Clarke, do Instituto Global de Sustentabilidade da Universidade Estadual do Arizona em Tempe. "Os urbanistas pensam apenas no aspecto local da ilha de calor", ela acrescenta. "A cidade está no contexto de outras cidades."

Dickerson concorda que, sob a luz de seu trabalho, os urbanistas devem prestar mais atenção nas influências exteriores das ilhas de calor urbanas. E eles talvez façam isso, já que a pesquisa foi apoiada em parte pelo Departamento do Meio Ambiente de Maryland para determinar como a plantação de árvores pode ajudar a melhorar a qualidade do ar, segundo Dickerson. Zhang está atualmente trabalhando na China, assessorando nos problemas de ilhas de calor do país.

"Um pequeno Estado como Maryland não pode fazer muito para ajudar a combater a mudança climática global, mas existem coisas que podem ser feitas para mitigar os impactos adversos do clima localmente", diz Dickerson.

Tradução: Amy Traduções

Nature

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