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O astronauta brasileiro Marcos Pontes falou hoje pela primeira vez à imprensa desde a sua volta à Terra. Ele destacou e agradeceu o cuidado e a competência da equipe responsável pelo resgate dos tripulantes do módulo espacial que pousou no último sábado. "O vôo foi melhor do que eu imaginava", disse Pontes.
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Pontes, o russo Valery Tokarev e o americano William McArthur concederam uma entrevista coletiva de quase uma hora em um museu na Cidade das Estrelas, na Rússia. Além dos experimentos científicos, o brasileiro confessou que fez um pouco de turismo, afirmando que filmou tudo o que pôde enquanto estava na Estação Internacional Espacial (ISS).
Quanto ao futuro, ele espera que a sua viagem se repita, com o envio de outros brasileiros ao espaço. Ele disse também que a Missão Centenário pode contribuir para o desenvolvimento do programa espacial e da ciência brasileira como um todo, servindo como fonte de inspiração. "Vou fazer todo o possível para que no futuro apareçam novos astronautas brasileiros", afirmou Pontes ao comentar seus próximos planos.
Ele lamentou, entretanto, que durante sua permanência na ISS não pôde jogar futebol, mas, em compensação, conseguiu cumpriu todo o programa da Missão Centenário. "Levei uma bola de futebol ao espaço, mas infelizmente não pude jogar por causa da ausência de gravidade", disse. "Tudo foi melhor do que o que eu esperava, cumpri integralmente o programa, e me impressionei com a convivência a bordo com os colegas russos e americanos", afirmou Pontes.
A bordo da nave Soyuz TMA-8, Pontes chegou à ISS no último dia 1º junto ao russo Pavel Vinogradov e ao americano Jeffrey Williams, integrantes da 13ª expedição, ISS-13, que cumprirão uma missão de seis meses na estação espacial. Durante oito dias, Pontes, Vinogradov e Williams compartilharam o reduzido espaço da ISS com a expedição ISS-12, formada pelo americano William McArthur e o russo Valeri Tokarev, que à chegada da Soyuz TMA-8 tinham cumprido 198 dias a bordo da estação espacial. Durante os oito dias, russos e americanos se dedicaram aos assuntos relacionados à transferência de comando entre as expedições, enquanto Pontes desenvolveu um programa de experimentos científicos e atividades didáticas para alunos de colégios brasileiros.
Ele lembrou que, além da viagem promovida pelos russos, teve participação no programa norte-americano e fez um treinamento durante três anos com técnicos japoneses. Pontes informou ainda que mantém boas relações com os técnicos europeus. "Eu pretendo usar isso para realizar meus projetos".
Ao lembrar a passagem dos 45 anos da viagem do astronauta russo Iuri Gagarin ao espaço, em 1961, que ocorre amanhã, Pontes disse que o russo foi seu herói e que se sente muito feliz por ser comparado a ele pelos russos. Pontes afirmou que levou em sua bagagem uma camiseta com a imagem de Gagarin. "Em maio de 2005, na Praça Vermelha de Moscou, comprei uma camiseta com a imagem de Gagarin. Decidi levá-la ao espaço e a viagem foi bem-sucedida", ressaltou Pontes.
McArthur afirmou que ele e Tokarev se sentiram muito orgulhosos de terem participado do vôo de Pontes. Em um balanço do que sente após permanecer meio ano na órbita terrestre, McArthur afirmou que os vôos espaciais ensinam antes de tudo a "valorizar mais a vida na Terra".
"Na ISS o diferente faz muita falta, porque tudo é igual - a temperatura, o ar, a comida. Por isso, quando abrimos a escotilha ao chegarmos, tudo nos alegrou: o frio, a grama", disse McArthur. Tokarev disse estar de acordo com McArthur, a única pessoa que teve a seu lado nos últimos seis meses, sobretudo quando o americano afirmou que "no espaço se compreende que só na Terra se pode experimentar todo o sentido que a vida oferece".
A entrevista de hoje foi a última manifestação de Pontes na Rússia. Ele permanece no país, onde pratica exercícios para readaptação, até o próximo dia 19, quando retorna ao Brasil. Está previsto um encontro com o presidente Lula.
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