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Brasil no Espaço
Sábado, 8 de abril de 2006, 20h51  Atualizada às 16h16
Brasileiro Marcos Pontes aterrissa na Terra
 
Reuters
Cápsula pousou no deserto do Cazaquistão
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O astronauta brasileiro Marcos Pontes está de volta à Terra depois de passar dez dias no espaço, oito deles na Estação Espacial Internacional (ISS). Segundo o Centro de Controle de Vôos Espaciais da Rússia, a nave russa Soyuz aterrissou às 20h49 (horário de Brasília) no local previsto, cerca de 58 quilômetros ao nordeste da localidade de Arkalyk, no deserto do Cazaquistão. Além de Pontes, voltaram à Terra o russo Valery Tokarev e o americano William McArthur.

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"De acordo com as informações telemétricas, a aterrissagem aconteceu exatamente no lugar previsto. Os relatórios indicam que o estado de saúde dos astronautas é normal", declarou um porta-voz do Centro. A operação de resgate, que contou com quatro aviões e 16 helicópteros, incluiu o acompanhamento da nave desde sua entrada na atmosfera até sua localização em terra, transporte de médicos e analistas e posterior evacuação dos astronautas.

Além das equipes de resgate russas, na zona da aterrissagem também estava um hospital aéreo da Nasa. Além disso, estavam previstas todas as possíveis emergências, inclusive a aterrissagem em território de outros países em 12 possíveis "polígonos de aterrissagem".

De acordo com os convênios estabelecidos, a primeira assistência médica aos astronautas será feita pelos especialistas do país em cujo território aterrissaram. No entanto, apesar da aterrissagem ter acontecido no Cazaquistão, serão os médicos da Roskosmos que postarão um hospital no lugar onde a nave aterrisou e realizarão uma revisão preliminar dos astronautas.

Espera-se que Pontes, que passou uma semana no espaço, necessite menos atenção que Tókarev e McArthur, que permaneceram na ISS desde outubro passado e precisarão passar por uma readaptação à gravidez terrestre.

De acordo com as informações preliminares, durante a entrada da nave nas camadas densas da atmosfera, as sobrecargas dos astronautas chegaram a 4,67 pontos, contra os 4 previstos. "Os astronautas suportaram a sobrecarga sem alterações", informou por rádio o comandante da nave Valeri Tókarev.

Os três astronautas serão levados na manhã deste domingo a Moscou. Sua aterrissagem na base aérea de Chkálov, nos arredores da capital russa e a poucos quilômetros da Cidade das Estrelas, onde fica a base principal dos astronautas, deve ocorrer por volta das 11h (4h de Brasília). Apenas após alguns dias de readaptação, darão sua primeira entrevista coletiva na Cidade das Estrelas.

Missão Centenário
Marcos Pontes é o primeiro astronauta brasileiro após o lançamento da nave russa no dia 29 de março rumo à ISS. A bordo da estação, o brasileiro realizou oito experimentos científicos, um deles sobre a germinação de sementes de feijão, proposto por crianças de escolas de São José dos Campos.

No decorrer da viagem, ele participou de diversas entrevistas e videoconferências, entre elas uma em que conversou com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que o comparou ao tricampeão mundial de Fórmula 1 Ayrton Senna, por ele ter carregado a bandeira brasileira ao entrar na ISS. O piloto costumava fazer o mesmo gesto ao vencer suas provas.

Depois de sair do cosmódromo de Baikonur, no Cazaquistão, a nave que levou o brasileiro ao espaço se acoplou à ISS na madrugada do dia 1o de abril. Quando os dois astronautas que estavam na estação - os mesmos que voltaram com Pontes para a Terra - abriram as escotilhas, o paulista de Bauru foi o primeiro a entrar na ISS, empunhando a bandeira nacional.

Pontes foi selecionado em 1998 pela Agência Espacial Brasileira (AEB) para participar de um treinamento para astronautas da Nasa, que seria realizado no Johnson Space Center, em Houston.

Ele foi um dos seis estrangeiros entre 32 candidatos do programa e o único de um país em desenvolvimento - os outros não-norte-americanos vinham da Itália, da Alemanha, da França e do Canadá.

Em 2000, ao final do treinamento, o brasileiro passou a ser considerado um astronauta e a integrar a equipe da Nasa.

Ele deveria ter voado com um ônibus espacial norte-americano em 2001, mas essa missão acabou sendo adiada por razões financeiras e depois suspensa indefinidamente, quando a Nasa paralisou sua frota de ônibus espaciais em virtude do acidente com o Columbia, em 2003. Pontes participou das investigações sobre o incidente.


 

Redação Terra