Ciência

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21 de outubro de 2009 • 17h38 • atualizado às 17h53

Bigode das focas é arquivo de hábitos alimentares, diz estudo

Estudo sugere que o bigode das focas pode ser um arquivo linear de informação sobre os hábitos de busca de alimento
Foto: The New York Times

Todo bigode conta uma história. Esse é o pensamento por trás de um estudo de padrões de migração e estratégias de procura de alimento das focas antárticas Arctocephalinae.

Os bigodes desses animais, como o cabelo humano, são feitos primordialmente de queratina e crescem a partir da base. A queratina é estável, por isso quaisquer átomos incorporados enquanto o bigode cresce - vindos do que o animal respira, bebe e come - ficam presos em determinado lugar. Por isso um bigode pode ser um arquivo linear de informação sobre os hábitos de busca de alimento do animal.

Yves Cherel, do Centro Chize para Estudos Biológicos, na França, e colegas, coletaram bigodes de dez focas antárticas machos que se reproduzem nas Ilhas Crozet, no sul do oceano Índico, e os dividiram em segmentos iguais, cada um com cerca de três mm de comprimento. (O bigode mais longo tinha cerca de 33 cm, produzindo 111 segmentos.) Então, eles analisaram as proporções de isótopos de carbono e nitrogênio.

Mudanças na proporção de isótopos de carbono refletem por onde o animal viajou, de zonas subtropicais a águas antárticas, enquanto diferenças na proporção de isótopos de nitrogênio refletem mudanças de hábitos alimentares, dependendo do nicho ecológico do animal.

Conforme relatado no periódico Biology Letters, as marcas isotópicas nos bigodes mostraram um padrão anual claro, com as focas migrando entre os subtrópicos e a alta Antártica, e trocando a dieta à base de krill na Antártica para peixe nas águas subantárticas e subtropicais.

Mas houve uma diversidade significante entre as focas individuais: algumas permaneciam apenas nas águas subantárticas, por exemplo, sem nunca se aventurarem em latitudes mais altas.

Tradução: Amy Traduções

The New York Times