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"Beberrões" têm menor chance de ataque cardíaco, diz estudo

19 nov 2009
11h13
atualizado às 12h12
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Um amplo estudo realizado na região basca da Espanha chegou a uma conclusão surpreendente e polêmica: pessoas que bebem altas doses diárias de álcool, como uma garrafa de vinho ou meia dúzia de cervejas, têm melhores chances de não sofrer ataque cardíaco. As informações são do jornal britânico The Independent.

Os pesquisadores, do Departamento de Saúde Pública do Governo Basco, traçararam perfis e hábitos de 15 mil homens e 26 mil mulheres entre 29 e 69 anos. Entre os resultados está a confirmação do fato - já popular - de que pessoas com o costume de ingerir pequenas doses alcoólicas diárias levam vantagens em relação àquelas que passam os dias longes das taças de vinho e dos copos de cervejas.

Esses consumidores moderados apresentam, de acordo com o estudo, 35% a mais de chances de escapar de problemas cardíacos.

A polêmica surpresa, por sua vez, é a constatação de que também aqueles que, para padrões convencionais, abusam do álcool (como ter o hábito de esvaziar garrafas de vinho e consumir caixas de cervejas diárias), levam vantagens. As chances destes "beberrões" não enfrentarem problemas no coração são 50% maiores, apontam os resultados.

A polêmica do estudo se deve a atribuir benesses a hábitos sabidamente perigosos. A própria coordenadora da pesquisa, Larraitz Arriola, informa que o consumo de álcool causa 1,8 milhões de mortes por ano no mundo. "A primeira coisa a ser dita sobre nosso estudo é que o consumo de álcool é algo muito prejudicial. Se você bebe muito, você deve começar a beber menos." Segundo ela, o objetivo do estudo é somente apontar um dado positivo do consumo de álcool.

Cientistas britânicos vão mais fundo e criticaram o estudo, chamando-o de "falho". Robert Stutton, da Universidade de Liverpool, aponta, por exemplo, que a pesquisa ignora todas outras doenças relacionadas ao consumo de bebidas alcóolicas.

As análises dos pesquisadores bascos também fazem algumas restrições. Segundo os dados, por exemplo, as chances de os bebedores de vinho escaparem de problemas cardíacos são um pouco menores daqueles que optam pela cerveja. Os cientistas britânicos ainda acrescentam que eventuais benesses do abuso do álcool devem ser restringidas s homens com idade superior a 40 anos.

A Espanha é o terceiro maior produtor mundial de vinho e o novo de cerveja. O país ocupa a sexta posição do ranking mundial de consumo de álcool. Em San Sebastian, cidade da sede da pesquisa, o consumo alcoólico per capita é de 41.4 gramas/dia - o equivalente a meia garrafa de vinho, um litro de cerveja com teor alcoólico de 5% ou um quarto de garrafa de uísque.

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Fonte: Redação Terra
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