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Arqueólogos espanhóis mostram evolução de primeiras sociedades mesopotâmicas

17 jun 2016
12h41
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Arqueólogos espanhóis conseguiram mostrar em um sítio arqueológico no Curdistão iraquiano, na antiga Mesopotâmia do Norte, a evolução das primeiras sociedades camponesas desde o Neolítico até o primeiro milênio antes de Cristo.

O sítio de Gird Lashkir, qualificado como "excepcional" pelo diretor do grupo de pesquisa e catedrático de pré-história da Universidade Autônoma de Barcelona (nordeste da Espanha), Miquel Molist, tem cerca de cinco hectares de extensão.

Conta além disso com uma sequência única de 15 metros de níveis arqueológicos que se sucedem.

Molist explicou que desde os anos 60, quando esteve na região o arqueólogo americano Robert Braidwood, não se havia trabalhado neste âmbito, nesta que é o primeiro sítio escavado com técnicas modernas e um dos que mais pode contribuir para o conhecimento das sociedades neolíticas.

Na Mesopotâmia, a agricultura e as primeiras sociedades urbanas chegaram 8.500 anos antes de nossa era e tiveram que passar quase 2.000 anos para que chegassem à Europa.

As escavações forneceram evidências de uma sucessão de ocupação do local que vai desde o Neolítico, cerca de 8.500 anos antes de Cristo, até o primeiro milênio anterior a nossa era, segundo explicou a professora de pré-história da UAB Anna Gómez Bach, membro da equipe.

O sítio arqueológico de Gird Lashkir era protegido pelo governo do Iraque e nunca tinha sido escavado, e fica perto do antigo curso de um rio em um território que é uma região autônoma, na qual não há conflitos bélicos.

As primeiras pesquisas foram feitas na parte superior do terreno e puderam ser recuperados três quartos de uma grande construção com muros de quase um metro de espessura, junto ao que havia muito material de cerâmica "in situ", por isso que se acredita que se tratava de um antigo armazém.

A hipótese trabalhada pelos especialistas sobre estes armazéns é que habitantes do sul de Mesopotâmia criaram colônias no norte da região, onde a terra era mais fértil, como cidades-satélite que abasteciam de matérias-primas o sul, onde as cidades eram maiores.

Molist ressaltou que também participou dos trabalhos a Universidade Salahaddin de Erbil e que do ponto de vista científico nunca tinha sido encontrado uma sequência similar de ocupações nem objetos como os que foram achados.

Há restos de cerâmica, moldes da Idade do Ferro e até cinco figuras de argila cozida que representam vacas ou gado bovino, os quais poderiam ser brinquedos, além de sílex e peças para moer grão, entre outras coisas.

O material achado, acrescentou o arqueólogo, está em muito bom estado de conservação e destacam um queimador de incenso e cravos de argila associados ao Neolítico e ao momento da construção de uma casa.

Os pesquisadores não descartam que possam ser encontrados alguns destroços de escritura cuneiforme na próxima expedição, que está prevista para a primavera de 2017.

Os arqueólogos ficaram seis semanas em 2015 e outras seis em maio deste ano com uma equipe de sete pessoas que se deslocou de Barcelona, às quais se somaram dez operários e pessoal local.

Esta jazida pode revelar o surgimento das primeiras cidades no norte de Mesopotâmia, que por um recesso de anos na pesquisa não se conhecem.

A região estudada estava fechada para a pesquisa, e de quatro equipes que trabalhavam em 2010 se passou para 40 em 2015, das quais três averiguam o Neolítico: a da UAB, que é a única espanhola que trabalha na região, uma britânica e outra japonesa.

As demais realizam pesquisas em relação ao mundo islâmico, a época medieval e a civilização persa, e sobre outras questões do mundo da arqueologia.

EFE   

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