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SP: filhote de macaco ameaçado de extinção nasce em zoo

População do Sauim-de-coleira teve uma redução de 80% em 17 anos no País

20 mar 2015
16h05
atualizado às 16h20
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Funcionários do Zoológico Municipal de Bauru, no interior de São Paulo, comemoram o nascimento de um filhote de sauim-de-coleira, ou sagui bicolor, como também é conhecido. Apesar dos poucos dias de vida, o filhote já pode ser visto pelos visitantes, sempre nas costas da mãe, do pai ou das duas irmãs. Este é o terceiro nascimento de um sauim no Zoo de Bauru nos últimos quatro anos, considerados de suma importância para conservação da espécie.

O sauim-de-coleira é um tipo de primata exclusivo do Amazonas, não sendo encontrado em nenhuma outra floresta do mundo. Em vida livre ele vive em alguns pequenos grupos, em poucas áreas de mata ainda protegidas no entorno da cidade de Manaus, da qual é considerado animal símbolo. Segundo o diretor do zoológico, Luiz Pires, estudos mostram que a população do sauim-de-coleira teve uma redução de cerca de 80% nos últimos 17 anos e corre grande risco de extinção.

Uma das maiores causas é a destruição contínua de seu habitat natural, com o avanço da urbanização sobre as florestas. Os pesquisadores apontam que as novas construções isolam áreas de mata e expõem os primatas a riscos como atropelamentos e choques elétricos.

Buscando reverter esse quadro, o Ministério do Meio Ambiente criou em março do ano passado o Plano de Ação Nacional Sauim-de-coleira. Entre as ações propostas está a manutenção de fragmentos de florestas relevantes na cidade de Manaus e a conservação com gestão adequada à proliferação da espécie, incluindo-se aí a manutenção de uma população em cativeiro, da qual o zoológico de Bauru faz parte. A instituição mantém a maior colônia reprodutora entre os zoos brasileiros com nove animais divididos em três famílias.

O diretor explica que nos primeiros seis meses de vida o filhotinho vive “grudado” com os membros da família. Ele é carregado o tempo todo nas costas e essa função é revezada entre pai, mãe e irmãs. “Isso é muito importante para que tenham aprendizado de como cuidar dos filhotes, tanto pra ele mesmo quanto para as irmãs futuramente”. Ainda não é possível afirmar o sexo do recém-nascido. “Não mexemos com ele ainda, essa não é uma preocupação no momento”.

Formar novos casais e uma população autossustentável estão entre os planos futuros da instituição para que o trabalho de conservação da espécie possa ser desenvolvido também em outros zoológicos, como o de Sorocaba, Americana e o Parque Ecológico de São Carlos, todos no interior paulista.

“Esperamos em breve estar retornando com os filhotes que aqui nascem, para áreas protegidas no Estado do Amazonas, de onde eles nunca deveriam ter desaparecido. Este é o grande objetivo dos zoológicos e, pelo menos em cativeiro, ao contrário do que ocorre em vida livre, estamos conseguindo não só mantê-los vivos, mas também o aumento da colônia”, avalia Pires.

Fonte: Especial para Terra
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