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SP: filhote de jaguatirica é resgatado em canavial de Lins

12 ago 2013
20h20
atualizado às 21h06
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Policiais ambientais de Lins, no interior de São Paulo, resgataram na tarde desta segunda-feira um filhote de jaguatirica com cerca de um mês de vida. O animal foi encontrado em uma extensa área de canavial no bairro rural Tangarás durante patrulhamento de rotina. A jaguatirica está atualmente ameaçada de extinção em todo o país devido à caça predatória e à devastação de seu habitat natural.

Por ser ainda bem pequena, com menos de 20 centímetros e estar em fase de amamentação, a fêmea corre sérios riscos, principalmente quanto ao frio registrado na região. Por isso, os policiais foram orientados a levá-la ao Zoológico Municipal de Bauru onde será mantida aquecida e será alimentada com leite de cabra. Devido à coloração dos pelos nessa fase da vida, os filhotes de gato-do-mato e onça-parda (puma) podem ser facilmente confundidos com os de jaguatirica. Foi preciso a ajuda de um biólogo para identificação.

De acordo com o biólogo Gérson Rodrigues, do Zoológico de Bauru, a jaguatirica é difícil de ser encontrada na região devido ao desmatamento e precisa de áreas de mata preservada para sobreviver. Além disso, o biólogo explica que o filhote dificilmente voltará à vida selvagem, pois sem a presença materna não desenvolve os instintos de caça e de defesa.

“Esses animais geralmente não retornam à natureza. Ele tem que aprender tudo com a mãe, tudo o que precisa sobreviver na natureza e nesse caso não houve tempo para esse aprendizado. Pode ser que ele volte, mas se houver um programa de reabilitação”, explica. 

Rodrigues explica ainda que a fêmea não faz companhia para os filhotes o tempo todo, ela os esconde quando precisa caçar, por exemplo, e volta para alimentá-los. “Muitas pessoas podem até pensar que a mãe os abandonou, mas pode não ter sido isso o que aconteceu. Animais com hábitos solitários costumam deixar os filhotes escondidos quando vão caçar ou se alimentar, é o caso também do veado catingueiro”, disse. 

A cada cria, a fêmea de jaguatirica pode ter entre um e três filhotes. O soldado Alexsandro Pelegrino explica que não é possível saber o que houve com a mãe do filhote encontrado ou se há outros da mesma cria perdidos pelo canavial. “Por mais que a queima da palha da cana seja legalizada, pode ocorrer a morte do animal”, disse.

Na terça-feira, o filhote será levado ao Hospital Veterinário da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Botucatu. 

Fonte: Terra

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