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Selfie de macaco vira alvo de disputa de direitos autorais

26 set 2015
14h18
atualizado às 17h57
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O fotógrafo no centro de uma polêmica internacional sobre uma selfie tirada por um macaco na Indonésia afirmou à BBC que vai resistir "o quanto puder" ante a disputa sobre a propriedade da imagem, que considera de sua autoria. Na segunda-feira passada, ativistas de direitos dos animais buscaram permissão legal na Justiça dos Estados Unidos para que a renda obtida a partir da reprodução da foto seja usada em prol do primata.

Fotógrafo que armou registro diz que é dono da imagem, mas ativistas discordam
Fotógrafo que armou registro diz que é dono da imagem, mas ativistas discordam
Foto: Divulgação/BBC Brasil

Mas David Slater diz que levou três dias de trabalho para registrar a imagem, que percorreu o mundo. Ele disse que o dinheiro obtido a partir da republicação da foto é seu por direito.

"Levei três dias de sangue, suor e lágrimas para registrar a selfie. Tive de ser aceito por um grupo de macacos antes que eles me permitissem chegar perto o bastante para poder deixar ali a minha câmera", disse Slater à BBC. "O problema é que outras pessoas estão tentando roubar os direitos de propriedade da imagem e eu vou resistir a isso o quanto puder", acrescentou.

'Violação de integridade'

A selfie do macaco da espécie 'Macaca nigra' viralizou rapidamente, sendo inclusive distribuída por plataformas de conteúdo como a enciclopédia virtual Wikipédia. O argumento é de que os direitos autorais da foto não pertencem a ninguém, pois a imagem foi registrada por um macaco, e não por um indíviduo.

No início desta semana, ativistas do grupo Peta (Pessoas pelo Tratamento Ético dos Animais) entraram com uma ação em um tribunal de San Francisco, nos Estados Unidos, pedindo permissão para administrar a renda obtida a partir da republicação da foto em prol do macaco, identificado como Naruto, de seis anos.

"Se o Peta ganhar a causa, será a primeira vez que um não-humano é declarado detentor de sua própria imagem", disse Mimi Bekhechi, diretora do Peta.

Mas Slater afirmou à BBC que a atitude do Peta e da Wikipédia "cheira mal" e é uma flagrante violação de sua integridade artística. O fotógrafo argumenta ter levado "muito tempo e perseverança" para tirar a selfie. O registro foi feito em uma reserva na ilha indonésia de Sulawesi em 2011.

Ele diz ter passado vários dias junto dos macacos para que eles pudessem ficar relaxados diante de sua presença. Slater acrescentou ainda que só conseguiu a foto pois deixou sua câmera ligada em cima de um tripé com um cabo que o macaco apertou e registrou a imagem.

Além disso, ele afirma ter precisado se certificar de que a luz e o contraste da câmera estavam corretamente ajustados ─ o que, segundo o fotógrafo, é uma prova "mais do que suficiente" do seu direito sobre a imagem. "Permaneci deitado o tempo todo com pelo menos dois filhotes de macaco em cima de mim e ainda tive de me recuperar de algumas feridas causadas por um macho que me atacou várias vezes pois acreditava que eu era um rival. Então não ouse dizer que essas fotos não são minhas".

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