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Carro-bomba explode no Iêmen após fracasso de negociação de paz

21 jun 2015
08h26
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Explosão perto de mesquita na capital Sanaa mata pelo menos duas pessoas. Ataque ocorre poucas horas após encerramento das conversas sobre cessar-fogo entre rebeldes houthis e governo iemenita.

Pelo menos duas pessoas foram mortas e várias ficaram feridas na explosão de um carro-bomba na capital do Iêmen, Sanaa, neste sábado (20/06). O ataque ocorreu poucas horas depois das negociações de paz entre as partes em conflito no país – o grupo rebelde houthi e o governo do presidente exilado Abd Rabbuh Mansur al-Hadi – terem fracassado, em Genebra, na Suíça.

O carro-bomba explodiu perto da mesquita Qabat al-Mahdi. Segundo autoridades de segurança, além de matar pelo menos duas pessoas, o ataque feriu outras seis no mínimo.

Nenhum grupo assumiu a responsabilidade pelo atentado, que ocorreu três dias após jihadistas do grupo terrorista do "Estado Islâmico" (EI) terem atacado uma mesquita frequentada por houthis e diversos escritórios de xiitas na capital iemenita, matando ao menos 31 pessoas e ferindo mais de 60.

Apesar de negociações visando um cessar-fogo, os ataques aéreos executados pela coalizão liderada pela Arábia Saudita prosseguiram neste sábado no país. Na cidade portuária de Aden, 15 novos bombardeios atingiram redutos houthis.

"O objetivo é fechar o cerco em torno dos rebeldes houthis em Aden e ajudar os Comitês de Resistência Popular", disse um oficial militar, sob condição de anonimato, se referindo às tribos sunitas e outros combatentes pró-governo que têm lutado contra o grupo xiita.

Sem trégua

As negociações de paz entre os dois lados em conflito no Iêmen terminaram na sexta-feira, em Genebra, sem um acordo para o cessar-fogo. O líder dos rebeldes, Hamza al-Houthi, disse que seu grupo "fez de tudo para o sucesso das negociações, mas houve muitos obstáculos, especialmente, a exigência de retirada".

Já o ministro das Relações Exteriores do Iêmen, Riad Yassin, que está exilado do país, culpou os rebeldes pelo impasse. "Nós realmente viemos com uma grande esperança, mas, infelizmente, a delegação houthi não nos permitiu alcançar progressos reais como esperávamos", disse Yassin.

O governo de Hadi exige que os rebeldes se retirem dos territórios conquistados, mas os houthis querem a suspensão dos ataques aéreos antes de interromper o combate.

Os militantes houthis assumiram o controle sobre a capital iemenita em setembro e começaram a lutar pela cidade portuária de Aden, no início deste ano, forçando o presidente Hadi a fugir do Iêmen.

O presidente buscou refúgio na Arábia Saudita, que, por sua vez, iniciou em março a campanha aérea no Iêmen, numa tentativa de derrotar os houthis e restituir Hadi no poder.

O conflito e instabilidade política estão causando sofrimento à população iemenita, que está tendo de lidar com a escassez drástica de alimentos e a falta de suprimentos médicos. Segundo a ONU, mais de 2,6 mil pessoas foram mortas e mais de 20 milhões precisam desesperadamente de ajuda.

PV/afp/rtr/ap

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