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Brasília rende sua última homenagem a Oscar Niemeyer

Brasília recebeu nesta quinta-feira o corpo do arquiteto Oscar Niemeyer, o gênio da curva no cimento e um dos pais desta cidade construída há meio século, para render-lhe uma última homenagem.

O caixão de Niemeyer, coberto com a bandeira brasileira, chegou em um avião da Presidência vindo do Rio de Janeiro, sua cidade natal e na qual faleceu ontem à noite aos 104 anos, e foi recebido na Base Aérea de Brasília por uma guarda de honra militar.

Após um percurso de vários quilômetros sob sol forte até o Palácio do Planalto, o caixão subiu a rampa da sede presidencial ladeado pelos Dragões da Independência, honra reservada para os chefes de Estado.

Vestida de preto, a presidente Dilma Rousseff, que estava acompanhada pela viúva de Niemeyer, Vera Lucia, esperou na parte superior da rampa a chegada do corpo e aplaudiu quando o caixão do premiado arquiteto e militante comunista entrou no palácio.

A governante decretou luto oficial de sete dias pela morte do arquiteto, segundo informou o Governo, medida que foi acompanhada pelo governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz.

Para Brasília, Niemeyer desenhou, entre outros, os palácios do Planalto (sede da Presidência), da Alvorada (residência oficial) e do Itamaraty, o Congresso Nacional, o Palácio de Justiça, a sede do Supremo Tribunal Federal e dos ministérios, que estão alinhados um ao lado do outro ao longo de uma esplanada, assim como a catedral.

Em sua tarefa criativa, o artista teve como parceiro o urbanista Lúcio Costa, que projetou o Plano Piloto sobre o qual se traçou a capital brasileira, uma cidade que começou a ser construída no meio do nada em 1956, que foi inaugurada em 1960 e que por sua arquitetura singular foi declarada Patrimônio Cultural da Humanidade da Unesco em 1987.

Por essas razões, Dilma, ao tomar conhecimento de seu falecimento definiu Niemeyer como um "gênio" e um "revolucionário" e ofereceu a seus parentes o palácio presidencial para uma cerimônia oficial de despedida da qual participaram autoridades dos três poderes.

À homenagem se somaram representantes de Argentina, Uruguai e Venezuela que participam da Cúpula do Mercosul realizada no Palácio do Itamaraty e que acompanharam o chanceler brasileiro, Antonio Patriota, até a sede presidencial.

Foi um ato sóbrio com o qual a classe política brasileira quis prestar homenagem ao pai do modernismo arquitetônico, ao homem que em suas obras moldou o concreto para dar-lhe leveza e, sobretudo, a sensualidade da curva, um conceito inspirado nas formas femininas.

Depois das honras oficiais, o Governo abriu as portas do palácio para que o público que presenciava a homenagem à distância pudesse se despedir do artista.

Durante a cerimônia, Agnelo Queiroz anunciou que ampliará o legado de Niemeyer à capital com a construção de obras projetadas por ele que ainda não saíram do papel.

Niemeyer, que exerceu a arquitetura desde 1934 quase até o final de seus dias, desenhou mais de 600 obras que estão espalhadas por diversas cidades brasileiras e de países como França, Espanha, Itália, Estados Unidos, Argélia e Arábia Saudita, entre outros.

"Brasília ainda verá muitos projetos de nosso gênio", disse Queiroz, antecipando que prepara novas homenagens para o próximo dia 15 de dezembro, quando Niemeyer completaria 105 anos.

Após as homenagens em Brasília, o corpo de Niemeyer retornará esta noite ao Rio de Janeiro, onde amanhã será velado no Palácio da Cidade, e pela tarde será sepultado no cemitério São João Batista, em Botafogo, em uma cerimônia reservada para seus familiares e amigos mais próximos. EFE

joc/rsd

(foto)(vídeo)

EFE   
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