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Wikileaks: Jobim diz a embaixador que ministro odeia os EUA

30 nov 2010
15h25
atualizado às 16h01
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O site Wikileaks divulgou nesta terça-feira um telegrama da embaixada dos Estados Unidos de janeiro de 2008 em que é relatado um encontro entre o ministro da Defesa, Nelson Jobim, e o então embaixador dos Estados Unidos no Brasil, Clifford Sobel. Durante a conversa sobre um acordo de cooperação, segundo o documento, Jobim diz a Sobel que o então secretário-geral do Ministério das Relações Exteriores, Samuel Guimarães, "odeia os Estados Unidos" e estava tentando criar problemas na relação entre os dois países. Em comunicado à imprensa, Jobim negou as afirmações sobre o atual ministro-chefe da Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE).

infográfico info wikileaks
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Foto: Reuters

No telegrama, Sobel relata um café da manhã privado com Jobim, em 17 de janeiro. O embaixador teria dito ao ministro brasileiro que encontrou resistência ao acordo no Ministério das Relações Exteriores. Em resposta, Jobim diz que Guimarães foi um problema sério e que as propostas do então secretário-geral eram calculadas para perturbar as relações com os Estados Unidos e outros países industrializados. Jobim ainda teria dito que, se Guimarães e o ministro da pasta, Celso Amorim, se unissem contra o acordo, isso seria um problema sério.

Em um comentário no final do documento, Sobel diz que o presidente Lula talvez tenha que decidir entre um ministro da Defesa interessado em desenvolver laços mais estreitos com os Estados Unidos e um Ministério das Relações Exteriores firmemente empenhado em manter o controle sobre todos os aspectos da política externa e manter uma distância entre o Brasil e os Estados Unidos.

A ONG WikiLeaks obteve 1.947 documentos enviados pela embaixada em Brasília entre 1989 e 2010. Desses, 54 são classificados como secretos e 409 como confidenciais.

Jobim nega afirmações
A assessoria de Jobim divulgou uma nota à imprensa nesta terça em que diz que o ministro ligou hoje para o Guimarães "para negar as afirmações atribuídas a ele" no documento divulgado.

"Jobim desmentiu a afirmação e esclareceu a Guimarães que realmente em algum momento conversou sobre ele com o embaixador, mas disse que o tratou com respeito e classificou Guimarães como "um nacionalista, um homem que ama profundamente o Brasil".'Se o embaixador disse que Samuel não gosta dos Estados Unidos, isso é interpretação do embaixador, eu não disse isso. Samuel é meu amigo', afirmou'", diz o comunicado".

Para embaixador, Jobim é ministro forte
Segundo o Wikileaks, Sobel via Jobim com bons olhos e, em um dos telegramas - uma análise preparatória enviada pela embaixada antes da visita de março de 2008 - diz que ele é o "primeiro ministro da Defesa forte no Brasil", que busca fortemente acordos de cooperação militar.

Em um contexto pós-mensalão, diz o documento, Jobim seria um dos "líderes mais confiáveis do Brasil", com uma "reputação e integridade raras entre as lideranças brasileiras". O embaixador encerra o relatório ditando o que o secretário de Defesa deveria dizer a Jobim: "Como você toma decisões importantes sobre a modernização do Brasil, tenha em mente que a parceria com os EUA pode ajudar os dois países a perceber nosso objetivo comum de preservar a estabilidade no hemisfério oeste".

Jobim esteve na capital americana entre os dias 18 e 21 de março de 2008. A visita foi conturbada aos olhos do diplomata americano. Em especial, Sobel reclama da interferência do Itamaraty, que teria feito uma campanha de boicote à viagem.

Em outro documento, Sobel relata como o Ministério das Relações Exteriores teria trabalhado para atrapalhar a visita. "Enquanto Jobim dizia ao embaixador que queria uma programação completa, incluindo uma visita a Norfolk (onde há uma base aeronaval) e encontros com representantes da indústria de defesa americana, a embaixada em Washington dizia que a viagem teria que ser encurtada", diz o embaixador.

"A atual administração de centro-esquerda tem evitado cuidadosamente uma cooperação próxima em assuntos policiais e militares importantes para nós e tem se mantido à distância na maioria dos assuntos relacionados à segurança", afirma Sobel. Para o embaixador, a pasta de Amorim tem uma "inclinação antiamericana" e a liderança do Brasil à frente da missão de paz da ONU no Haiti, apesar do pouco apoio nacional, se deve à "obsessão" do ministro em obter um assento no conselho se segurança da ONU.

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Fonte: Redação Terra
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