Congresso francês vai fiscalizar indenizações do voo AF447

18 de junho de 2009 • 11h59 • atualizado às 17h58
O presidente do Senado francês, Gérard Larcher, fez homenagem às vítimas do voo AF 447 Foto: Reuters
O presidente do Senado francês, Gérard Larcher, fez homenagem às vítimas do voo AF 447
18 de junho de 2009
Foto: Reuters

O presidente do Senado da França, Gérard Larcher, afirmou nesta quinta-feira que o Parlamento de seu país vai garantir que a Air France pague as indenizações devidas aos familiares das vítimas do acidente com o voo AF 447 no mês passado, independentemente de suas nacionalidades.

Em visita ao Rio de Janeiro, o terceiro nome mais importante do Estado francês afirmou que o cumprimento dos direitos das famílias dos 228 ocupantes do avião é uma prioridade para a França.

"A França faz questão que esses direitos sejam respeitados", disse Larcher em entrevista coletiva, antes de participar de uma homenagem às vítimas do acidente em que lançou no mar uma coroa de flores.

"Qualquer que seja a nacionalidade das famílias - francesas, brasileiras ou das 30 outras nacionalidades -, nós temos certeza que a Air France vai respeitar todos os procedimentos de indenização. E nós, é claro, como Parlamento, vamos zelar para o respeito da convenção internacional", acrescentou, referindo-se à Convenção de Chicago, de 1944, que estabelece os parâmetros para a aviação internacional.

O Airbus A330 da Air France que fazia a rota Rio-Paris tinha 216 passageiros a bordo de 32 nacionalidades, incluindo sete crianças e um bebê. Segundo a Air France, 61 eram franceses, 58 brasileiros e 26 alemães. Dos 12 tripulantes, um era brasileiro e os demais franceses.

A Justiça do Rio de Janeiro determinou na quarta-feira o pagamento da primeira indenização aos familiares de uma vítima do acidente, no valor de 30 salários mínimos ao mês por 24 meses, baseado no salário de cerca de 15 mil reais que a vítima recebia como funcionário de uma empresa francesa.

A Air France no Brasil informou, nesta quinta-feira, que ainda não foi notificada oficialmente da decisão judicial, e acrescentou que algumas famílias já receberam adiantamentos previstos nas leis internacionais pagos por uma seguradora da companhia aérea.

O senador francês elogiou o trabalho de buscas comandado pela Marinha e a Força Aérea Brasileira, que resgataram do mar os corpos de 50 vítimas do acidente com ajuda de embarcações e aviões franceses.

"Nosso sentimento é que tudo tem sido conduzido de uma maneira extremamente correta por cada um dos implicados nessa missão. Gostaria de prestar uma homenagem às autoridades e às Forças Armadas brasileiras", afirmou Larcher, que está no país a convite do Senado brasileiro por ocasião do ano da França no Brasil.

Sobre a reclamação feita pelo chefe da investigação das causas do acidente na França, Paul-Louis Arslanian, de que um profissional francês não teve acesso à perícia dos corpos realizada no Recife, o senador disse que o problema "será resolvido rapidamente". No Brasil, o fato foi negado, e uma autoridade francesa no País também descartou qualquer problema.

Larcher afirmou ainda que o Senado francês está atento ao andamento dos inquéritos e que pode iniciar um investigação própria sobre o acidente, mas que por enquanto não vê necessidade.

"É claro que o Parlamento sempre tem a possibilidade, e até mesmo o dever se achar que a questão deve ser aprofundada, de levar essa questão ao governo francês, mas até agora nós pensamos que tudo tem sido conduzido de uma maneira extremamente correta, e não digo apenas por uma diplomacia", afirmou.

O acidente
O Airbus A330 saiu do Rio de Janeiro no domingo (31), às 19h (horário de Brasília), e deveria chegar ao aeroporto Roissy - Charles de Gaulle de Paris no dia 1º às 11h10 locais (6h10 de Brasília).

De acordo com nota divulgada pela FAB, às 22h33 (horário de Brasília) o vôo fez o último contato via rádio com o Centro de Controle de Área Atlântico (Cindacta III). O comandante informou que, às 23h20, ingressaria no espaço aéreo de Dakar, no Senegal.

Às 22h48 (horário de Brasília) a aeronave saiu da cobertura radar do Cindacta, segundo a FAB. Antes disso, no entanto, a aeronave voava normalmente a 35 mil pés (11 km) de altitude.

A Air France informou que o Airbus entrou em uma zona de tempestade às 2h GMT (23h de Brasília) e enviou uma mensagem automática de falha no circuito elétrico às 2h14 GMT (23h14 de Brasília). A equipe de resgate da FAB foi acionada às 2h30 (horário de Brasília).

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