Mergulhadores removem parte do Airbus da Air France desaparecido no Oceano Atlântico |
A descoberta pelas equipes de resgate do estabilizador vertical do Airbus A330 da Air France, que fazia o vôo AF 447 e caiu no Oceano Atlântico, pode ser decisiva nas investigações sobre as causas do acidente, disse nesta segunda-feira o brigadeiro da reserva José Carlos Pereira, ex-presidente da Infraero. Pereira analisou as fotografias dos destroços divulgadas pela Aeronáutica e pela Marinha, e disse que as peças devem conter informações valiosas para as investigações.
"Aquilo é importante", afirmou o brigadeiro, em referência ao estabilizador vertical. "O leme do avião é preso àquela peça. Como há a suspeita de que uma das consequências do problema foi a quebra do leme, a descoberta do estabilizador vertical inteiro pode ajudar muito os investigadores. Pode mostrar como rompeu, como o leme se soltou, qual foi a força que atuou e foi capaz de quebrar alguma coisa", acrescentou.
Os fios retirados do mar também podem ajudar nas apurações da causa do acidente, já que o avião reportou automaticamente à Air France ter sofrido uma falha elétrica. "Vi uma foto de uma cablagem, aquela maçaroca de fios. A forma como aqueles fios foram seccionados e a medição se eles foram submetidos a uma carga elétrica", comentou o ex-presidente da Infraero, estatal que administra os aeroportos brasileiros.
Para Pereira, entretanto, as investigações não devem ser concluídas em um curto período de tempo. "Serão anos de investigação, a não ser que eles (as equipes de busca) descubram logo a caixa-preta. Estou acreditando nos franceses. Eles têm uma tecnologia boa e experiência nisso, e estão mandando um submarino para lá", comentou o brigadeiro.
Autoridades responsáveis pelos trabalhos de busca no Recife têm se negado a dar detalhes sobre os destroços encontrados, mas em vídeo publicado em seu site na internet, a FAB informa que o estabilizador vertical do Airbus está entre as peças encontradas no oceano.
O acidente
O Airbus A330 saiu do Rio de Janeiro no domingo (31), às 19h (horário de Brasília), e deveria chegar ao aeroporto Roissy - Charles de Gaulle de Paris no dia 1º às 11h10 locais (6h10 de Brasília).
De acordo com nota divulgada pela FAB, às 22h33 (horário de Brasília) o vôo fez o último contato via rádio com o Centro de Controle de Área Atlântico (Cindacta III). O comandante informou que, às 23h20, ingressaria no espaço aéreo de Dakar, no Senegal.
Às 22h48 (horário de Brasília) a aeronave saiu da cobertura radar do Cindacta, segundo a FAB. Antes disso, no entanto, a aeronave voava normalmente a 35 mil pés (11 km) de altitude.
A Air France informou que o Airbus entrou em uma zona de tempestade às 2h GMT (23h de Brasília) e enviou uma mensagem automática de falha no circuito elétrico às 2h14 GMT (23h14 de Brasília). A equipe de resgate da FAB foi acionada às 2h30 (horário de Brasília).
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