» Veja as imagens do Papa no Brasil
» Assista aos vídeos do Papa no Brasil
» Leia as frases do Papa no Brasil
» Conheça as reações às opiniões do Papa
» Confira a biografia do papa Bento XVI
» Opine sobre a visita do Papa
» vc repórter: Mande fotos e notícias
Para Marinhos, o Pontífice veio ao Brasil para tentar reverter "o quadro descendente da Igreja Católica" que em geral beneficia justamente igrejas evangélicas como a Assembléia de Deus.
"Acho difícil (que ele alcance isso). O quadro é irreversível porque a mudança parte em direção a verdades bíblicas."
Procurada pela BBC Brasil, a Igreja Universal limitou-se a dizer, em nota, que "respeita todas as pessoas, mas prefere não se pronunciar acerca desse assunto".
'Diálogo'
Já anglicanos e judeus - grupos que participaram do encontro em que o Papa reuniu dez líderes religiosos - elogiaram os seus esforços para se reunir com representantes de outras religiões.
"Eu acho que (a visita) foi muito positiva em termos de relacionamentos entre católicos e judeus, ele reforçou muito a posição de diálogo católico-judaico", disse o presidente da Confederação Israelita do Brasil, Jack Terpins.
O bispo Hiroshi Ito, da Arquidiocese Anglicana de São Paulo, também destacou a atitude de Bento XVI de sempre ter deixado "a porta aberta" aos anglicanos e lembrou que o Papa é "o bispo símbolo da unidade da Igreja Cristã", apesar das divergências entre as duas igrejas.
"Já sabemos a posição do atual Papa. Há uma parte com a qual nos concordamos." As principais discordâncias são, segundo Ito, a condenação do uso de preservativos e do segundo casamento. Embora diga ser contra o aborto, o religioso também acredita que a questão da legalização da prática é mais complexa do que o Papa deu a entender.
"Temos de levar em conta quantas moças perderam suas vidas (ao fazerem abortos clandestinos), como o próprio presidente Lula fala", afirmou Hiroshi.
Por outro lado, Ito teme que a admissão do aborto possa comprometer a autoridade moral da Igreja para criticar outras formas de violência. "Achamos que se admitirmos a eliminação de uma vida, nós perdermos base para criticar outras formas de violência", disse Ito.
Já a Assembléia de Deus concorda com o Papa na sua condenação absoluta do aborto e do sexo antes do casamento. Quanto ao uso de preservativos, o pastor Marinhos diz que só admite no contexto do casamento para planejamento familiar, mas não "para a promiscuidade", como seria usado hoje.
Ele também apoiou o Papa na sua declaração de que a evangelização da América Latina não foi um processo imposto aos povos que viviam na região, um dos pontos que causaram mais polêmica durante a sua visita.
"A gente sabe que algumas questões que são defendidas como culturais são, na verdade, questões espirituais. Não houve imposição. Quando se prega o evangelho, se prega mudança transformação. Aqueles costumes em desacordo com a palavra nós também combatemos".
Apesar desse pontos de acordo, o evangélico diz que a aproximação com a Igreja Católica não é possível sem que haja "mudanças fundamentais". "Nós não buscamos esse diálogo com a Igreja Católica. São princípios bíblicos completamente diferentes." "Por exemplo, ele veio canonizar uma pessoa, que é um princípio completamente contrário ao nosso. Nada a ver."
BBC Brasil
BBC BRASIL.com - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização escrita da BBC BRASIL.com.
Busca
Busque outras notícias no Terra: