Visita do Papa

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Quarta, 16 de maio de 2007, 07h43 Atualizada às 07h54

Papa mostrou 'fraquezas' no Brasil, diz jornal alemão

Em editorial intitulado As fraquezas do Papa, o jornal alemão Süddeutsche Zeitung comenta nesta quarta-feira o discurso final de Bento XVI no Brasil para afirmar que o "culto Joseph Ratzinger mostra fraquezas assustadoras em assuntos histórico-políticos".

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O jornal se refere à declaração do Papa de que os povos indígenas na América Latina estavam "à espera do cristianismo" e de que a nova crença 'não foi uma imposição' sobre os povos pré-colombianos".

"Então provavelmente no início de outubro de 1492, entre o México e a Terra do Fogo as pessoas ficavam olhando para o mar, pensando 'Onde estão eles? Quando é que nós índios finalmente vamos poder ser cristãos?'", ironiza o jornal.

Segundo o jornal, Bento XVI acabou "neutralizando o pedido de desculpas feito por João Paulo II pelas atrocidades cometidas em nome de Jesus contra os moradores da América Central e do Sul".

Indignação
O jornal alemão diz que "ao espiritualizar o resultado de morte, assassinato e exploração", o Papa acabou passando a mensagem de que "no final das contas, os sobreviventes aceitaram Cristo, e tudo bem".

O editorial diz que o Papa causou indignação entre os povos indígenas, assim como causou a revolta de muçulmanos com o discurso de Regensburg.

"É difícil separar com precisão crença, responsabilidade histórica e política, como Bento XVI parece acreditar. Não costuma dar certo, quando um clérigo vira político", diz o Süddeutsche Zeitung.

"Mas também não basta canonizar um franciscano beato, que fazia as pessoas engolirem pedacinhos de papel com preces para curá-las", conclui o editorial.

O diário espanhol El País também destaca a polêmica desatada pelas declarações do Papa, afirmando que "os indígenas brasileiros se declararam na segunda-feira terem se sentido ofendidos pelas afirmações de que a Igreja havia purificado os índios e que voltar às suas religiões originais seria um retrocesso".

O jornal espanhol observa que as declarações de Bento xvi foram qualificadas como "arrogantes e desrespeitosas" por líderes das comunidades indígenas.

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