Visita do Papa

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Domingo, 13 de maio de 2007, 19h10 Atualizada às 23h22

Papa ataca machismo na América Latina

O papa Bento XVI atacou o machismo na América Latina num discurso repleto de críticas à estrutura social da região, com o qual abriu a 5ª Conferência Geral do Episcopado Latino-americano e do Caribe, em Aparecida (SP).

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"Em algumas famílias da América Latina persiste ainda por desgraça uma mentalidade machista, ignorando a novidade do cristianismo que reconhece e proclama a igual dignidade e responsabilidade da mulher em relação ao homem", afirmou Bento XVI, na sua primeira referência ao tema na visita ao Brasil que encerra neste domingo.

Falando a cerca de 200 bispos latino-americanos, o Pontífice, que é contra o ordenamento feminino, destacou o papel da mulher como "fundamental" para o futuro da sociedade.

"As mães que queiram dedicar-se plenamente à educação de seus filhos e ao serviço da família hão de gozar das condições necessárias para poder fazê-lo, e para isso têm direito a contar com o apoio do Estado", disse o Papa.

No que deve ser seu penúltimo pronunciamento antes de deixar o solo brasileiro, Bento XVI também insistiu na importância da família como promotora da fé e de "valores cívicos e humanos".

"Atualmente (a família) sofre situações adversas provocadas pelo secularismo e pelo relativismo ético, pelos diversos fluxos migratórios internos e externos, pela pobreza, pela instabilidade social e por legislações civis contrárias ao matrimônio que, ao favorecer os contraceptivos e o aborto, ameaçam o futuro dos povos", afirmou.

Para o Pontífice, faltam "no âmbito político, comunicativo e universitário de vozes e iniciativas de líderes católicos de forte personalidade e de vocação abnegada, que sejam coerentes com suas vocações éticas e religiosas".

Bento XVI disse ainda que latino-americanos e caribenhos têm direito a uma vida "livre das ameaças da fome e de toda forma de violência na América Latina" e citou um documento do Vaticano (encíclica Populorum progressio) que prega a supressão das graves desigualdades sociais.

Apesar das críticas, Bento XVI defendeu uma atuação social da igreja independente de políticos e partidos. Qualquer vinculação a uma via política específica comprometeria a autoridade moral da Igreja, sustentou o Pontífice.

Em resposta à perda de fiéis para outras religiões, Bento XVI chamou os leigos a assumir responsabilidade pela evangelização, confirmando as expectativas que diversos bispos presentes em Aparecida expressaram antes do início da conferência.

"Eles (os leigos e leigas) são chamados para levar ao mundo o testemunho de Jesus Cristo e ser fermento do amor de Deus na sociedade."

Mais cedo, na missa que celebrou para cerca de 150 mil pessoas na Basílica de Aparecida, Bento XVI disse que a Igreja "não faz proselitismo". "O encontro com Cristo e a Eucaristia suscita o compromisso da evangelização e o impulso à solidariedade. Desperta no cristão o forte desejo de anunciar o Evangelho e testemunhá-lo na sociedade para que seja mais justa e humana."

Para o Pontífice, a construção de estruturais sociais mais justas passa por "consenso moral da sociedade sobre os valores fundamentais e sobre a necessidade de viver esses valores com as renúncias necessárias, inclusive contra o interesse pessoal".

"Não quero dizer que os não crentes não possam viver uma moralidade elevada e exemplar, digo somente que uma sociedade em que Deus está ausente não encontra consenso necessário sobre os valores morais e a força para viver segundo uma pauta desses valores, ainda que contra os próprios interesses."

Espera-se que esse discurso de Bento XVI seja determinante nas discussões da conferência, que se estenderá até 31 de maio, e dos rumos da Igreja na América Latina para os próximos anos.

Nos 11 pronunciamentos que fez desde que chegou ao País, o Papa condenou o aborto e a eutanásia, criticou o divórcio, as seitas neopentecostais, defendeu a castidade antes do casamento, pediu aos bispos que deixem questões ideológicas de lado e defendeu uma campanha de evangelização.

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