Visita do Papa

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Domingo, 13 de maio de 2007, 17h09 Atualizada às 23h11

Papa critica liberalismo econômico na América Latina

Em seu discurso durante a cerimônia de abertura da 5ª Conferência Geral do Episcopado Latino-americano e do Caribe (Celam), o papa Bento XVI criticou os países da América Latina que adotam a economia liberal e não combatem a pobreza crescente na região.

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"Por outro lado, a economia liberal de alguns países latinos precisa ter presente a igualdade, pois seguem aumentando os setores da sociedade que enfrentam cada vez mais uma enorme pobreza", afirmou Bento XVI.

Bento XVI também criticou a sociedade que acredita na realidade sem Deus. O Papa afirmou que o "erro destrutivo" dos sistemas marxista e capitalista foi considerar apenas os bens materiais e os problemas sociais, econômicos e políticos, esquecendo-se de Deus.

"São reais apenas os bens materiais, os problemas sociais, econômicos e políticos? Este é precisamente o grande erro das tendências dominantes no último século, erro destrutivo, como demonstram os resultados tanto dos sistemas marxistas como dos capitalistas. Falsificam o conceito de realidade com a amputação da realidade fundamental, e por isso decisiva, que é Deus. Quem exclue Deus do seu horizonte falsifica o conceito de 'realidade' e, em sua consciência, apenas pode acabar em caminhos errados e receitas destrutivas".

Bento XVI afirmou que tanto o capitalismo como o marxismo foram incapazes de combater a pobreza e ficaram longe de levar justiça social à região. "Tanto o capitalismo como o marxismo prometeram encontrar o caminho para a criação de estruturas justas e afirmaram que estas funcionariam por si mesmas... Esta promessa ideológica ficou demonstrada que era falsa. Os fatos o demonstram".

Mas apenas ao marxismo imputou a pena de ter realizado "uma destruição do espírito humano", enquanto o capitalismo levou ao aumento da distância entre ricos e pobres e a uma "inquietante degradação da dignidade pessoal com as drogas, o álcool e ilusórias formas de prazer".

O Papa também se referiu à globalização, tendência econômica em que ele vê um avanço pela unidade que proporciona, mas que apresenta "os riscos dos grandes monopólios e de converter o lucro em um valor supremo". Pregou em seguida que a globalização deve ser marcada exercício da ética.

Na abertura do discurso, Bento XVI se disse preocupado com o surgimento de formas de governo "autoritárias" ou sujeitas a doutrinas "superadas" na América Latina. "Na América Latina e no Caribe (...) evoluímos para a democracia, mas há motivos para preocupação diante de formas de governo autoritárias ou sujeitas a ideologias que acreditávamos superadas", disse o Papa.

O discurso do Papa foi feito em espanhol, uma vez que se destina a bispos de todo o continente.

Com agências

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