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"O Papa levou quatro tiros no momento em que abençoava uma multidão na praça São Pedro, em Roma. Cirurgiões realizaram uma operação de 5 horas e dizem esperar que o Pontífice possa se recuperar completamente.
Por volta das 17h15 da hora local, o Papa estava sendo conduzido no papamóvel através de uma multidão de cerca de 20 mil devotos, quando foi atingido por quatro balas disparadas de uma pistola de 9 mm a uma distância de 15 pés (menos de 5 m).
Duas atingiram o estômago, uma, seu braço direito, e outra, um dedo. A polícia prendeu um homem de 23 anos que se disse cidadão turco, e forneceu o nome de Mehmet Ali Hagca. 'Ele repetia: Não dou a mínima para a vida'.
A imprensa turca reportou que Hagca foi preso pelo assassinato do editor de jornal Abdi Ipecki, em fevereiro de 1979. Mas fugiu da prisão, deixando uma carta prometendo matar o Pontífice pouco antes de o Papa visitar a Turquia, em 1979."
"Testemunhas horrorizadas"
Muitos dos que testemunharam os tiros na praça lotada choravam, ou gritavam, de joelhos, em meio à incredulidade. O Papa caiu e foi levado às pressas para o complexo do Vaticano, e de lá, em ambulância, para um hospital. A Rádio Vaticano pediu ao mundo que ore pela sua sobrevivência.
A rainha (Elizabeth 2ª) e o arcebispo de Canterbury expressaram seu choque e sua solidariedade ao Papa e seus seguidores. João Paulo II, antes cardeal Karol Wojtila da Polônia, se tornou Papa em 1978. Ele é o primeiro papa não italiano em 455 anos.
Ele também é o Pontífice que mais viajou na história do Vaticano. Autoridades da Santa Sé normalmente dizem, em privado, temer por sua segurança durante os contatos freqüentes com multidões entusiasmadas por onde passa.
Duas semanas após o atentado, o Papa deixou o hospital - mas voltou a se internar em 21 de junho com uma infecção de pulmão.Recuperado, João Paulo II visitou 50 países apenas na primeira década de seu pontificado.
Ele morreu às 21h37 do sábado, 2 de abril de 2005, de complicações decorrentes de uma operação na garganta. Pelo atentado, Mehmet Ali Hagca foi sentenciado à prisão perpétua em julho de 1981.
Mais tarde, João Paulo II perdoou Agca e até o visitou na prisão. Com a intermediação do João Paulo II, ele deixou a prisão italiana após 19 anos. De volta à Turquia, foi condenado a cumprir o resto de sua pena pelo assassinato do jornalista Abdi Ipecki. Deixou a prisão em janeiro do ano passado.
BBC Brasil
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