Visita do Papa

Visita do Papa

Domingo, 6 de maio de 2007, 16h50 Atualizada às 23h07

À espera do Papa, entusiasmo de católicos não é unanimidade

A poucos dias da visita do papa Bento XVI a São Paulo, católicos participaram de atos religiosos neste domingo, do centro à periferia da cidade, mas cada fiel espera o pontífice a seu modo e com entusiasmos bem diferentes. Comparações com João Paulo II, que também já veio ao Brasil, são inevitáveis.

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Na Catedral Metropolitana de São Paulo, na praça da Sé, fiéis quase lotaram os 8 mil lugares para ouvir uma missa do padre Peter Fenech, que chamou esta semana de "abençoada" devido à visita do Papa, que chega à capital na quarta-feira.

Ao pedir orações para a 5ª Conferência Episcopal da América Latina e Caribe, que acontecerá em Aparecida, São Paulo, e da qual o Papa fará a abertura, no próximo domingo, o padre pediu o fim das divisões dentro da Igreja.

"A questão não é ser Teologia da Libertação ou não ser pelo poder da libertação, a questão é viver os mandamentos de Jesus (...) É assim que vamos conseguir (a graça de Deus), e não nos dividindo em setores, e não nos digladiando uns aos outros", disse padre Pedro, como é chamado pelos fiéis.

Para o aposentado Antônio Cândido Noronha, 59 anos, a visita do pontífice é um privilégio dos brasileiros. "Até me arrepio quando penso", declarou antes da missa na Sé.

Sua companheira, a aposentada Ornélia da Silva, 69 anos, vai tentar ver o papa no Campo de Marte, quando haverá a canonização de frei Galvão, apesar de não ser tão fã de Bento XVI como era de João Paulo II. "Bento XVI está tendo muita mordomia. O outro era mais humilde, mais simples", explicou a preferência.

No Santuário do Terço Bizantino, da Diocese de Santo Amaro, participantes de caravanas vindas de fora da cidade já começavam a se acomodar cinco horas antes da missa da tarde de domingo. Esses visitantes optaram por ouvir padre Marcelo Rossi a ver o papa no final de semana seguinte.

"Sinceramente? Pra mim, o padre Marcelo é mais importante", comentou um pouco envergonhada a doméstica Cleonice Santos Silva, 46 anos, que veio de Santos, acompanhada da família.

A balconista Vanessa Almeida Bezerra Gonçalves, 26 anos, veio do Guarujá em uma excursão de 50 pessoas ao Santuário. Grávida de três meses, ela nem vai tentar ver Bento XVI. "Ver o Papa seria muito gratificante, mas impossível. Estar aqui com padre Marcelo já nos traz uma paz muito grande."

Padre Marcelo vem recomendando aos fiéis que levem lenços brancos ao Campo de Marte, onde haverá uma vigília e uma apresentação sua ao final.

Sem entusiasmo

Na periferia da cidade, o domingo não foi só de religião, mas de muita política e pouco entusiasmo com o papa. Na divisa entre a capital e Itapecirica da Serra, um padre e um pastor evangélico participaram de um ato com vários políticos de esquerda em um acampamento com 10 mil sem-teto.

"A diferença entre este encontro e os outros (que acontecem nas igrejas) é que aqui está o povo, o povo que luta pelos seus direitos e é participativo. É esse povo que o papa deveria ver. Mas ele ainda está muito longe de nós", disse o padre irlandês Jaime Crowe, que vive no país há quase 30 anos.

Desempregada e mãe de quatro filhos, a baiana Lucila Rodrigues, de 29 anos, concorda com a visão do religioso. "Eu sou católica só de teimosia. Do outro papa eu gostava, mas fiquei sabendo que esse de agora é o papa dos ricos. Aí não tem como gostar, não é?", perguntou deixando clara sua posição.

Em um culto evangélico da igreja Universal do Reino de Deus, no bairro de Santo Amaro, a vinda do papa e a canonização do primeiro santo nascido no Brasil não mobilizaram os fiéis, cuja maioria já pertenceu a outras igrejas, como a católica.

"Cem por cento dos membros da Universal vieram de outras religiões, muitos da Igreja Católica", disse o bispo Delmar Andrade, que por 36 anos foi católico e agora está há 18 na Universal. "Mas as pessoas sabem como funciona a Igreja Católica, e creio que elas não vão assistir à missa do Papa porque já encontraram uma forma de resolver seus problemas."

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