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vc repórter: mesmo após ficar cego, médico de SC não abandona a profissão

25 jun 2013
15h50
atualizado em 11/12/2013 às 19h43
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Em 1985, o então jovem e recém-casado Wilson Alves de Oliveira sofreu um grave acidente automobilístico em Santa Catarina. Foi diagnosticado com traumatismo cranioencefálico, perda do olfato e da visão. Ficou internado na UTI, realizou uma série de cirurgias e se submeteu meses de readaptação à nova realidade. Hoje, com 56 anos, continua exercendo sua profissão de médico e conta orgulhoso que muitos dos pacientes que atende diariamente pelo SUS de Blumenau ou em sua clínica particular sequer reparam que ele é deficiente visual.

Dr. Wilson conta orgulhoso que muitos de seus pacientes não notam que ele é deficiente visual
Dr. Wilson conta orgulhoso que muitos de seus pacientes não notam que ele é deficiente visual
Foto: Jaime Batista da Silva / vc repórter

O acidente aconteceu no dia 2 de agosto de 1985, data que o dr. Wilson não se esquece. Não porque ela o corrói, mas por simbolizar uma nova etapa em sua vida. Meses antes, havia se casado, cinco anos após se formar em medicina pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC ), em 1980.

O médico foi operado em Santa Catarina, mas a complexidade do caso pedia a intervenção de especialistas de São Paulo. E foi na maior cidade do País que ele descobriu que jamais recuperaria a visão – seus olhos, até hoje, não respondem a nenhum estímulo de luz. No mesmo ano, dr. Wilson fez curso de reabilitação na fundação Dorina Nowill, centro de referência para deficientes visuais, na Vila Clementino, zona sul da capital paulista. “Lá, aprendi o braile, a me locomover com o auxílio de uma bengala e atividades da vida cotidiana. Antes, nem cortar um bife eu conseguia”, relembra.

O médico permaneceu em São Paulo até 1990. Durante esse período, se especializou em acupuntura e em homeopatia. De volta a Blumenau, além de atender em sua clínica particular, há 23 anos se dedica a pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) e é médico voluntário no Centro Espírita Fé Amor e Caridade. “Muitas vezes os pacientes só percebem que sou cego na segunda ou terceira consulta”, diverte-se.

Ser independente e “feliz com a vida” são outras características do dr. Wilson, que garante: nunca teve problemas com aceitação. “Vivo sozinho, viajo de avião sozinho, vou ao supermercado, pego táxi e até metrô quando estou em São Paulo. Eu e a minha bengala, né?”, conta o pai de três jovens, “maravilhosos”, uma de 22, e dois rapazes, de 19 e 18 anos. Os filhos teve com a mesma esposa com que se casara meses antes do acidente, com quem ficou por 27 anos e de quem está separado desde outubro do ano passado.

Ele atende em sua clínica, no Sistema Único de Saúde e em um Centro Espírita de Blumenau
Ele atende em sua clínica, no Sistema Único de Saúde e em um Centro Espírita de Blumenau
Foto: Jaime Batista da Silva / vc repórter

Apesar da agitada rotina, o dr. Wilson ainda arruma tempo para cuidar da saúde, fazendo trilhas a pé e pedalando sua bicicleta de dois selins, e para se dedicar a uma de suas paixões, veículos antigos. Fazem parte da coleção um Ford Landau Galaxie 1977, um Gurgel 1991, um fusca 1966 e uma Lambretta 1962, dos quais cuida pessoalmente, inclusive fazendo polimento.

A tecnologia se encarrega de mantê-lo informado, por revistas no formato MP3, e de adaptá-lo ao computador, equipado com softwares especiais para deficientes visuais. Mas a força para seguir em frente, segundo dr. Wilson, “está dentro de nós e de Deus”. Por isso, procura seguir os ensinamentos de pensar sempre no próximo e de praticar a caridade. "Assim, tudo fica tranquilo. Tanto é verdade que nunca tomei um comprimido de antidepressivo na vida".

O internauta Jaime Batista da Silva, de Blumenau (SC), participou do vc repórter, canal de jornalismo participativo do Terra. Se você também quiser mandar fotos, textos ou vídeos, clique aqui .

vc repórter

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