Trânsito

 
 

Notícias » Brasil » Brasil

 SP: jovem resgatada diz não ter dinheiro para pagar hospital
02 de fevereiro de 2012 10h03 atualizado às 12h07

Caroline esperou três dias por socorro. Foto: Dario Stecker dos Santos/Agência Estado

Caroline esperou três dias por socorro
Foto: Dario Stecker dos Santos/Agência Estado

Chico Siqueira
Direto de Araçatuba

Não é com seu estado de saúde que a comerciária Caroline Laila Soares, 19 anos, está mais preocupada. A jovem - que foi resgatada de um córrego no último domingo depois de esperar por socorro por 72 horas - disse nesta quarta-feira que sua maior preocupação é com as despesas causadas pelo acidente que sofreu na madrugada da sexta-feira da semana passada. O carro dela despencou numa ribanceira e caiu num córrego, às margens da rodovia Elieser Montenegro Magalhães (SP-463), no município de Populina, interior de São Paulo.

Eles sobreviveram: veja casos de pessoas que ludibriaram a morte

Internada num quarto da Santa Casa de Fernandópolis, Caroline disse que sua família não tem recursos para pagar os custos hospitalares. "Estou preocupada com os prejuízos. Não sei como vamos fazer para reformar meu carro, pagar a UTI (onde ficou internada por três dias), medicamentos e outros custos", disse ela. "Vou ter de batalhar muito para dar conta de quitar tudo." Humilde, a família de Caroline, que mora em Iturama (MG), só conseguiu convênio público nesta quarta-feira, quando a paciente foi transferida da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) para um quarto do Sistema Único de Saúde (SUS). "Internação na UTI foi particular e vamos ter de pagar", contou.

Batalha não foi o que faltou para Caroline sobreviver os três dias e as três noites que passou no córrego, com hipotermia e fraturas na perna esquerda e na bacia. "Saí do carro pela porta de trás, que se abriu. Faltava uma hora mais ou menos para amanhecer", contou. Os dias de sol, contou, foram difíceis. "O sol, muito quente, quase me torrou", disse ela. Mas o pior, segundo Caroline, aconteceu quando ela percebeu que estava com fraturas na perna esquerda. "Fiquei com medo de perder a perna. Quando vi meus ossos se mexendo fiquei com medo de que, se não fosse socorrida logo, poderia ter a perna amputada, ficar inválida, e ser obrigada a viver numa cadeira de rodas, dando trabalho para os outros", contou.

Caroline confirmou que o acidente ocorreu quando viajava para visitar um amigo, morador de Jales (SP). Ela sonhou que o rapaz morria e ficou preocupada. Seu sonho agora será se recuperar dos prejuízos, estudar e passar no vestibular para Agronomia. "Vamos recuperar e estudar para passar no vestibular, ainda no final deste ano", contou.

Antes, Caroline, que segundo o médico Edson Betiol, está tendo uma "recuperação favorável", deverá passar entre hoje e amanhã por duas cirurgias para reparação de fraturas no tornozelo e na perna. Além do tornozelo, ela fraturou a fíbula (perônio) e ossos da bacia. Mas, conforme o ortopedista José Maria Nuevo, a força de vontade de Caroline fará com que ela se recupere logo.

Especial para Terra