O Instituto de Ortopedia do Hospital das Cínicas de São Paulo, ligado à Secretaria de Estado da Saúde, traçou um perfil dos motociclistas acidentados que foram internados na unidade. De acordo com o coordenador do estudo, o ortopedista Marcelo Rosa, além da ocupação de diversos leitos, a internação de 84 pacientes representou um custo de, aproximadamente, R$ 3 milhões à instituição. Ele destaca que apesar dos homens continuarem a ser a maioria, o percentual de mulheres internadas chegou a 10%. "É o dobro do verificado em estatísticas anteriores", afirma Rosa.
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Durante seis meses, de maio a novembro de 2009, dos 255 acidentados de moto atendidos, 84 precisaram de internação e, destes, 54% tiveram fratura exposta. A média foi de 18 dias de internação, sendo que 14% dos pacientes, após a alta médica, precisaram voltar para nova internação.
Outra constatação da pesquisa foi a de que 64% dos pacientes possuíam vínculo empregatício. Segundo a assistente social do instituto, Kátia Campos Anjos, 67% dos pacientes afirmaram usar a moto apenas como meio de transporte, e não como ferramenta de trabalho. "Os acidentes trazem conflitos emocionais para todos os envolvidos, inclusive com mudanças drásticas nas condições de uma vida ativa para uma condição de dependência", diz Kátia.
Entre os internados, 45% afirmaram nunca terem sofrido acidente de trânsito. Para o ortopedista Marcelo Rosa, o fato de nunca terem se acidentado faz com que se sintam "onipotentes". A maioria dos acidentes ocorreu em colisões com carro e mais de 70% dos acidentados disseram conhecer as leis de trânsito e não terem sido imprudentes. Um dado preocupante é que 71% dos envolvidos são jovens no auge da produtividade.
Dos pacientes acompanhados, 12% tiveram lesões neurológicas periféricas. "Além de gerar um alto custo para o Estado, muitos destes pacientes terão sequelas para o resto da vida", diz Rosa, acrescentando que os acidentes de moto, hoje, devem ser vistos como uma epidemia. "É necessária uma ampla mobilização, envolvendo a sociedade civil, autoridades e, inclusive, as fabricantes de motocicletas".
- Redação Terra



