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Ciclista diz ter pedido calma a homem antes dele atropelar 10

25 fev 2011
22h06
atualizado em 26/2/2011 às 18h52
Maurício Tonetto
Direto de Porto Alegre

Um dos ciclistas que participava do passeio do movimento Massa Crítica, que percorre as ruas do bairro Cidade Baixa, em Porto Alegre (RS), na última sexta-feira de cada mês à noite, afirmou hoje que pediu calma ao motorista do Golf preto momentos antes de ele atropelar 10 pessoas do grupo e fugir sem prestar socorro. A polícia fazia buscas a Ricardo José Neif, 47 anos, identificado como proprietário do veículo após testemunhas anotarem a placa.

Segundo Camilo Colling, o homem disse que estava com pressa e atirou o veículo contra as bicicletas
Segundo Camilo Colling, o homem disse que estava com pressa e atirou o veículo contra as bicicletas
Foto: Ramiro Furquim/Agência Freelancer / Especial para Terra

Camilo Colling, 31 anos, disse ter visto o atropelamento porque chegou ao encontro atrasado, ficando um pouco atrás do grupo principal. "Eu vi esse carro arrancando. Ele ameaçou os ciclistas, foi para cima da gente e freou. Depois, continuou indo atrás e ameaçando", afirmou. Camilo, ao ver a cena, bateu no vidro do carro e disse: "acho melhor o senhor manter a calma, pois é um passeio ciclístico. Há crianças e pessoas mais velhas, e o senhor terá que ter paciência".

Antes de jogar o veículo para cima do grupo, o homem teria respondido a Colling: "sim, mas eu estou com pressa". "Só deu tempo de puxar a bicicleta para o lado e ver as pessoas voando", afirmou o ciclista. O atropelamento assustou quem passava pela rua e também os moradores do bairro. O funcionário da prefeitura Marco Antonio da Silva Leal, 49 anos, disse que levou um tempo para entender o que estava acontecendo. "Pensei até que era uma briga. Quando eu vi, tinha gente voando. Foi triste. Tava tudo certo, mas veio esse cara completamente maluco", afirmou.

O major Maya, do 9° Batalhão da Brigada Militar (BM), também se surpreendeu com o atropelamento. "Em 30 anos de trabalho nessa área, nunca tinha visto isso", disse. Segundo ele, a BM ainda está apurando uma outra versão: a de que o motorista raspou em um ciclista e os outros o fecharam, o que teria causado o atropelamento.

O incidente aconteceu por volta das 19h no cruzamento da rua José do Patrocínio com a Luiz Afonso. De acordo com a Brigada Militar, 100 ciclistas participavam do passeio. A maioria escapou do atropelamento, mas 10 ficaram feridos, sendo cinco com lesões, que foram encaminhados ao Hospital de Pronto Socorro.

Quatro viaturas da BM e cinco ambulâncias fizeram o atendimento dos feridos. A rua foi bloqueada e um grupo de ciclistas fez um protesto exigindo segurança e a presença do delegado de trânsito. Segundo a polícia, a via deve ser liberada ainda hoje. O movimento Massa Crítica integra uma ação mundial que se reúne mensalmente para lutar pelos direitos dos ciclistas. O grupo combina passeios pela internet.

Na sua página no microblog Twitter, o Massa Crítica convocou as pessoas a ocuparem o local do acidente e afirmou que "isso não pode passar em branco". "Acompanhe o noticiário local e difunda a notícia desta barbaridade. Por um trânsito sem assassinos e respeito a ciclistas e pedestres", dizia o grupo, que também postou: "Ciclistas estão lavrando boletins de ocorrência e deverão, coletivamente e em grupo, processar o assassino". O Terra entrou em contato com a Polícia Civil, mas não obteve retorno.

Fonte: Terra

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