O estudante de psicologia Alex Siwek, 22 anos, passou a última noite na cadeia do 2º DP de São Paulo, em Bom Retiro, após ter sido preso por ter atropelado um ciclista na avenida Paulista na madrugada de domingo. O limpador de vidros David Santos Souza, 21 anos, teve um dos braços amputado no acidente. O motorista não prestou socorro, fugiu e confessou ter se livrado do braço do ciclista em um rio na avenida Ricardo Jafet.
Na manhã desta segunda-feira, Alex foi levado ao Instituto Médico Legal e deve ser transferido para outra delegacia. O estudante mostrava sinais de que havia consumido álcool e se recusou a fazer o teste do bafômetro, segundo a polícia. Ele será autuado por quatro crimes: tentativa de homicídio com dolo eventual, fuga do local do acidente, embriaguez ao volante e tentativa de fraude processual (por ter descartado o braço da vítima).
Ciclista que perdeu braço não tem previsão de alta
O Hospital das Clínicas de São Paulo não tem previsão de quando David Souza terá alta médica. O jovem foi operado no domingo, após o atropelamento, e se recupera. O quadro dele é estável, de acordo com o hospital.
Segundo o delegado Luiz Francisco Cegantin, no momento do acidente, a ciclofaixa da Paulista não estava montada oficialmente, mas já tinha sinalização. Cegantin também informou que o estudante de psicologia entrava e saía da ciclofaixa, como se estivesse brincando. O fato de Alex ter se apresentado à polícia voluntariamente não trará nenhum benefício a ele, segundo o delegado.Testemunhas ouvidas relataram ainda que o condutor dirigia em alta velocidade, cortava o trânsito em um Honda Fit prata e havia ingerido bebidas alcoólicas - o que foi confirmado pelo carona do veículo, em depoimento à polícia. O suspeito fez exames clínicos, mas se negou a fazer o teste do bafômetro.
De acordo com o subtenente Jaime de Souza Melo, um dos responsáveis pela ocorrência, Alex estava transtornado ao chegar a um posto policial do bairro Saúde - onde confessou, cerca de uma hora depois do atropelamento, o que havia ocorrido. "Me prende, eu atropelei uma pessoa", dizia ele aos policiais, segundo o oficial. Ele se dispôs a fazer o trajeto que percorrera com os policiais, com o objetivo de procurar o braço do ciclista, mas acabou confessando ter jogado o membro da vítima no rio.
O motorista contou aos policiais que, após o atropelamento, deixou um amigo que estava com ele em casa, jogou o braço no rio, foi para casa e só depois se dirigiu ao posto policial. O estudante afirma que a parte amputada do corpo do ciclista caiu acidentalmente dentro do carro. A defesa do estudante alega que ele não prestou socorro à vítima com medo de ser agredido.
Protesto na avenida Paulista
Nesta segunda-feira, a avenida Paulista amanheceu com cartazes e pichações em protesto contra o atropelamento do ciclista. Em um dos postes do canteiro central da via, foram afixados cartazes que classificam as ações do motorista de "covardia" e questionam "por que viramos monstros no trânsito?". No asfalto da pista sentido Paraíso, os manifestantes picharam a frase "omissão mata". No sentido contrário, os motoristas são confrontados com uma pergunta: "você chama isso de fatalidade?".
- 26 de março - Ciclista abraça Agenor Pereira Junior, 41 anos, que voltava a pé de uma festa na noite do acidente e ajudou a socorrer a vítima Foto: Ricardo Matsukawa / Terra
- 26 de março - David se emocionou ao reencontrar Agenor e o técnico de enfermagem Thiago Chagas dos Santos, que prestou os primeiros socorros ao ciclista Foto: Ricardo Matsukawa / Terra
- 26 de março - "Se não fosse o Thiago, eu estaria morto", disse o ciclista no reencontro Foto: Ricardo Matsukawa / Terra
- 26 de março - O ciclista disse perdoar o atropelador, mas afirmou que espera por justiça Foto: Ricardo Matsukawa / Terra
- 26 de março - Jovem ainda se recupera dos ferimentos provocados pelo acidente e concedeu entrevista coletiva Foto: Ricardo Matsukawa / Terra
- 26 de março - Ciclista que perdeu o braço após ser atropelado afirmou que pretende fundar uma associação de amparo a vítimas de acidentes de trânsito Foto: Ricardo Matsukawa / Terra
- 11 de março - Poste do canteiro central da avenida Paulista amanheceu com cartazes de protesto contra o atropelamento de ciclista Foto: J. Duran Machfee / Futura Press
- 11 de março - Asfalto foi pichado na pista sentido Consolação da avenida Paulista com a pergunta 'você chama isso de fatalidade?', em referência ao atropelamento Foto: J. Duran Machfee / Futura Press
- 11 de março - Na pista sentido Paraíso, manifestantes picharam a frase 'omissão mata' Foto: J. Duran Machfee / Futura Press
- 10 de março - À tarde, ciclistas se reuniram para protestar em frente ao distrito policial para onde o motorista foi encaminhado Foto: Daniel Fernandes / Terra
- 10 de março - À tarde, ciclistas se reuniram para protestar em frente ao distrito policial para onde o motorista foi encaminhado. Foto: Oslaim Brito / Futura Press
- 10 de março - À tarde, ciclistas se reuniram para protestar em frente ao distrito policial para onde o motorista foi encaminhado Foto: Daniel Fernandes / Terra
- 10 de março - Mãe mostra carteira de identidade de David Santos Souza, limpador de vidros de 21 anos que perdeu o braço no acidente Foto: Daniel Fernandes / Terra
- 10 de março - Antônia Ferreira dos Santos diz que filho caçula sabe que perdeu o membro superior e está "muito assustado" Foto: Daniel Fernandes / Terra
- 10 de março - O motorista Alex Siwek, que atropelou o ciclista, esconde o rosto ao chegar ao 78º DP com o advogado para prestar depoimento Foto: Luiz Claudio Barbosa / Futura Press
- 10 de março - Bicicleta foi encontrada na ciclofaixa, segundo a CET Foto: Fábio Condutta / Terra
- 10 de março - Vítima foi levada ao pronto socorro do Hospital das Clínicas e está em estado estável Foto: Fábio Condutta / Terra
