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11 de março de 2013 • 11h02 • atualizado às 13h13

Atropelador de ciclista que perdeu braço passa a noite na cadeia em SP

Jovem de 21 anos teve o braço amputado na colisão; o motorista fugiu e jogou o membro em um rio

O motorista que atropelou o ciclista esconde o rosto ao chegar ao 78º DP para prestar depoimento
Foto: Luiz Claudio Barbosa / Futura Press
 

O estudante de psicologia Alex Siwek, 22 anos, passou a última noite na cadeia do 2º DP de São Paulo, em Bom Retiro, após ter sido preso por ter atropelado um ciclista na avenida Paulista na madrugada de domingo. O limpador de vidros David Santos Souza, 21 anos, teve um dos braços amputado no acidente. O motorista não prestou socorro, fugiu e confessou ter se livrado do braço do ciclista em um rio na avenida Ricardo Jafet.

Na manhã desta segunda-feira, Alex foi levado ao Instituto Médico Legal e deve ser transferido para outra delegacia. O estudante mostrava sinais de que havia consumido álcool e se recusou a fazer o teste do bafômetro, segundo a polícia. Ele será autuado por quatro crimes: tentativa de homicídio com dolo eventual, fuga do local do acidente, embriaguez ao volante e tentativa de fraude processual (por ter descartado o braço da vítima).

Ciclista que perdeu braço não tem previsão de alta
O Hospital das Clínicas de São Paulo não tem previsão de quando David Souza terá alta médica. O jovem foi operado no domingo, após o atropelamento, e se recupera. O quadro dele é estável, de acordo com o hospital.

O ciclista foi atropelado na ciclofaixa da avenida Paulista
Foto: Fábio Condutta / Terra

Segundo o delegado Luiz Francisco Cegantin, no momento do acidente, a ciclofaixa da Paulista não estava montada oficialmente, mas já tinha sinalização. Cegantin também informou que o estudante de psicologia entrava e saía da ciclofaixa, como se estivesse brincando. O fato de Alex ter se apresentado à polícia voluntariamente não trará nenhum benefício a ele, segundo o delegado.Testemunhas ouvidas relataram ainda que o condutor dirigia em alta velocidade, cortava o trânsito em um Honda Fit prata e havia ingerido bebidas alcoólicas - o que foi confirmado pelo carona do veículo, em depoimento à polícia. O suspeito fez exames clínicos, mas se negou a fazer o teste do bafômetro.

De acordo com o subtenente Jaime de Souza Melo, um dos responsáveis pela ocorrência, Alex estava transtornado ao chegar a um posto policial do bairro Saúde - onde confessou, cerca de uma hora depois do atropelamento, o que havia ocorrido. "Me prende, eu atropelei uma pessoa", dizia ele aos policiais, segundo o oficial. Ele se dispôs a fazer o trajeto que percorrera com os policiais, com o objetivo de procurar o braço do ciclista, mas acabou confessando ter jogado o membro da vítima no rio.

O motorista contou aos policiais que, após o atropelamento, deixou um amigo que estava com ele em casa, jogou o braço no rio, foi para casa e só depois se dirigiu ao posto policial. O estudante afirma que a parte amputada do corpo do ciclista caiu acidentalmente dentro do carro. A defesa do estudante alega que ele não prestou socorro à vítima com medo de ser agredido.

Protesto na avenida Paulista
Nesta segunda-feira, a avenida Paulista amanheceu com cartazes e pichações em protesto contra o atropelamento do ciclista. Em um dos postes do canteiro central da via, foram afixados cartazes que classificam as ações do motorista de "covardia" e questionam "por que viramos monstros no trânsito?". No asfalto da pista sentido Paraíso, os manifestantes picharam a frase "omissão mata". No sentido contrário, os motoristas são confrontados com uma pergunta: "você chama isso de fatalidade?".

Terra