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Após morte de ciclista, São Paulo inaugura nova ciclofaixa

4 mar 2012
13h18
atualizado às 13h40
Marina Novaes
Direto de São Paulo

Começou a funcionar neste domingo a ciclofaixa de lazer da zona norte de São Paulo, que liga a praça dos Heróis da FEB ao Sesc Santana e ao Parque da Juventude, em um trajeto de 6 km de extensão. A inauguração ocorre dois dias após a bióloga Juliana Dias, 33 anos, morrer atropelada quando trafegava de bicicleta pela avenida Paulista - o que motivou protestos na sexta-feira e no sábado, e a cobrança pela construção de mais ciclovias e ciclofaixas e por mais respeito no trânsito da cidade.

Diferentemente da última sexta-feira, o clima hoje era de descontração no trajeto, que atraiu ciclistas "profissionais", ex-sedentários e famílias a passeio. Mesmo assim, o acidente com a bióloga e pesquisadora do Hospital Sírio-Libanês era assunto de grande parte dos ciclistas que, apesar de elogiarem a ampliação da rede de ciclofaixas, reforçaram que ainda "falta muito" para São Paulo se tornar uma cidade segura para quem usa as bicicletas como meio de transporte.

"O acidente me assustou bastante, porque eu uso a bicicleta para ir ao trabalho todos os dias. Eu uso capacete, equipamentos de segurança, redobro a atenção, mas o desrespeito com os ciclistas é constante. Eu mesmo já fui atropelado há algum tempo, por um motorista que cruzou a preferencial sem dar sinal e fugiu", contou o educador físico Bruno Luiz Soares da Rocha, 27 anos, que percorre 9 km por dia para ir ao trabalho de bicicleta.

Apesar do medo, o educador convenceu a noiva Fernanda de Paula Moraes Florido, 29 anos, a começar a pedalar. Isso porque, eles partilham da opinião de muitos ciclistas ouvidos pelo Terra durante o fim de semana, não só na ciclofaixa: o aumento de ciclistas nas ruas ajuda a tornar a cidade mais segura para quem anda de bike.

"Em um cenário ideal, essas ciclofaixas não deveriam nem ser necessárias, se os motoristas soubessem conviver com quem está de bicicleta, e compreendesse que a nossa situação é muito mais frágil. Mas, até que isso aconteça, as ciclofaixas são uma forma didática de incentivar essa convivência", avalia o professor Nobu Chinen, 50 anos, que após 20 anos decidiu voltar a pedalar ao saber da inauguração da ciclofaixa na região onde mora.

A instrutora Vera Lúcia, que trabalha aos fins de semana na sinalização das ciclofaixas desde maio do ano passado, conta que já viu alguns carros passando por cima de cones no passado. Segundo ela, porém, os flagrantes de desrespeito aos ciclistas diminuíram muito com a ampliação dos percursos. "As pessoas estão se acostumando."

Para os amigos Cláudio Moacir de Jesus Silva, 50 anos, e Eliseu Menechini, 56 anos, que pedalam aos fins de semana, a construção de mais ciclovias ajudaria a tornar o uso da bicicleta no dia a dia mais viável, já que é difícil esperar uma mudança de atitude "espontânea" dos motoristas paulistas, cujo estresse motivado pelo trânsito caótico só tende a aumentar.

"O meu filho vai todos os dias trabalhar de bicicleta, mas eu ainda não acho seguro. Se as ruas fossem melhor sinalizadas, se houvesse mais ciclovias, essa seria uma ótima solução para o trânsito, mas em uma cidade como São Paulo é difícil ver uma solução próxima", avalia Eliseu.

Medidas de segurança
Enquanto os ciclistas habituais recomendam o uso diário de equipamentos de segurança, muitas pessoas dispensam o uso de capacetes para passear pelas ciclofaixas de lazer, o que é um erro.

"Tem que usar sempre, porque o risco de a pessoa se desequilibrar ou de acontecer um acidente ainda existe. Esses equipamentos não são acessórios", diz Penha Duarte de Melo, que comprou capacetes para o marido e os dois filhos usarem mesmo aos fins de semana.

A prefeitura lembra ainda que, nas ciclofaixas, é proibida a circulação de pedestres, patinadores e skatistas e, por ser um espaço destinado à todas as idades, os ciclistas devem manter uma "velocidade compatível" para não atropelar quem trafega de forma mais lenta.

As ciclofaixas funcionam sempre aos domingos e feriados nacionais, das 7h às 16h (horário de Brasília). No próximo dia 25, a prefeitura pretende inaugurar a ciclofaixa de lazer da zona leste, com 14 km de extensão, ao longo da avenida Governador Carvalho Pinto, passando também pelas avenidas Dom Hélder Câmara e Calim Eid.

Trajeto da ciclofaixa da zona norte:
- avenida Santos Dumont (entre o retorno próximo à avenida Braz Leme e à avenida General Pedro Leon Schneider);
- avenida General Pedro Leon Schneider - toda extensão;
- avenida General Ataliba Leonel - entre a rua Voluntários da Pátria e a praça Orlando Silva;
- avenida Luis Dumont Villares - desde praça Orlando Silva até rua Viri.

Ciclistas passeiam pela ciclofaixa de lazer da zona norte, na avenida General Ataliba Leonel, inaugurada neste domingo
Ciclistas passeiam pela ciclofaixa de lazer da zona norte, na avenida General Ataliba Leonel, inaugurada neste domingo
Foto: Marina Novaes / Terra
Fonte: Terra
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