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05 de outubro de 2009 • 14h07 • atualizado às 15h06

Saúde faz Brasil estacionar no ranking do IDH, avalia Pnud

 

O coordenador do Relatório de Desenvolvimento Humano 2009 do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), Flávio Comim, afirmou que o Brasil tem um histórico de aumento contínuo e constante do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), porém, a passos muito curtos. Para ele, aplicar 7% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro na saúde é pouco. "Faz 30 anos que o Brasil está atrás da Argentina, do Uruguai e do Chile no índice. O que puxa o IDH brasileiro para baixo é a saúde, a expectativa de vida", destacou.

O documento foi divulgado hoje e mostra que o País ocupa a 75ª posição em um ranking que inclui 182 nações. Segundo o relatório, o Brasil não tem conseguido avançar na lista.

No ano passado, o Brasil ocupava o 70º lugar, mas uma revisão de dados fez com que três países, Dominica, Rússia e Granada, subissem no ranking, ultrapassando a posição brasileira.

Além disso, a entrada de Andorra e Liestenstein no ranking divulgado este ano (referente a 2007), também em posições acima da brasileira, fez com que o País caísse cinco posições, apesar de seu valor bruto no índice ter subido de 0,808 em 2006 para 0,813 em 2007.

De acordo com Comim, isso significa que o Brasil permanece na mesma posição. "Se um país cresce pouco, ele acaba ficando para trás no ranking", explicou. Na análise dele, o maior desafio para que o Brasil consiga elevar consideravelmente sua posição no ranking é aumentar a expectativa de vida da população, que atualmente é de 72 anos em média, dez a menos do que a japonesa, por exemplo.

Nesse ponto, o maior entrave, segundo Comim, tem sido a alta taxa de mortalidade infantil brasileira. "Isso está ligado não só à saúde, mas também à educação. Por exemplo, entre as crianças filhas de mães sem nenhum acesso à educação, as taxas de mortalidade infantil chegam a 119 por mil nascidos vivos", afirmou o coordenador. "É um número maior do que os de muitos países africanos."

Além disso, ele disse que a taxa média de matrícula de 87,2% nos níveis fundamental, médio e superior acaba sendo prejudicada pelo alto índice de analfabetismo.

"Se olhássemos apenas a taxa de matrícula, teríamos um IDH igual ao de países desenvolvidos. Mas, quando se acrescentam os 10% de analfabetos, isso puxa o IDH da educação para 71º", afirmou. "Se olhássemos só a expectativa de vida, nosso IDH seria o de 82º."

Apesar disso, ele reconhece que os programas de transferência de renda do governo podem ter reflexos positivos no índice. "Com esses programas, as crianças estão tendo acesso à alimentação e nutrição. Então, mais tarde, pode sim aparecer o resultado disso na expectativa de vida", afirmou Comim.

O diretor de Análises do Ministério da Saúde, Otaliba Libanio, questionou os dados do Pnud. Segundo ele, o IDH foi baseado em informações defasadas e considera a taxa de mortalidade infantil do último Censo, ou seja, de 1991 a 2000.

De acordo com o diretor, atualmente, a taxa de mortalidade infantil brasileira é de 17,9 crianças de até 5 anos a cada mil nascidas vivas. "Nos último dez anos foram criadas várias iniciativas, como o Saúde da Família, que ajudaram a baixar a taxa de mortalidade infantil. Nós, inclusive, vamos conseguir alcançar a meta do milênio nessa área antes do prazo previsto", disse.

Agência Brasil