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Relator condena Dirceu, Genoino e Delubio por formação de quadrilha

BRASÍLIA, 18 Out (Reuters) - O relator da ação penal do mensalão no Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Joaquim Barbosa, votou nesta quinta-feira pela condenação do ex-ministro-chefe da Casa Civil José Dirceu, do ex-presidente do PT José Genoino, do ex-tesoureiro do partido Delúbio Soares e de outros oito réus por formação de quadrilha.

Os três, acusados de integrarem o chamado núcleo político do esquema, já foram condenados por maioria no Supremo pelo crime de corrupção ativa.

Dirceu foi apontado pela denúncia do Ministério Público Federal (MPF) como mentor e "chefe da quadrilha" responsável pelo esquema de desvio de recursos e compra de apoio parlamentar ao governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, revelado em 2005.

O relator disse que o ex-ministro comandava o principal núcleo do esquema e seria responsável por orientar as ações dos demais integrantes.

"José Dirceu¿ era quem comandava o núcleo político que, por sua vez, passava, normalmente por meio de Delúbio Soares, as orientações para o núcleo de Marcos Valério", disse Barbosa durante seu voto.

"Há provas mais do que consistentes de que Delúbio Soares, além de funcionar como principal braço operacional do chamado núcleo político, era também o principal elo entre esse núcleo político e o chamado núcleo publicitário, de Marcos Valério."

Barbosa condenou ainda Valério, apontado como principal operador do esquema, seus então sócios Ramon Hollerbach e Cristiano Paz, seu ex-advogado Rogério Toletino, e a diretora à época Simone Vasconcellos.

Também foram condenados os ex-dirigentes do Banco Rural Kátia Rabello, José Roberto Salgado e Vinícius Samarane.

O relator absolveu Geiza Dias, ex-funcionária de uma das agências de Valério, e Ayanna Tenório, ex-funcionária do Banco Rural.

Segundo Barbosa, "os integrantes do núcleo financeiro, após terem ingressado na quadrilha em troca de vantagens indevidas, lavaram boa parte dos valores ilícitos movimentados pelo grupo, bem como aportaram vultosos valores" por meio de empréstimos fictícios, realizados pelo Banco Rural.

Para o relator, é impossível negar que os réus condenados por ele agiram "de forma livre e consciente ao se associarem de maneira estável" para praticar os crimes contra a administração pública e o sistema financeiro nacional.

Este é o último capítulo a ser analisado pela Corte na ação penal. A expectativa é que o julgamento seja encerrado na próxima semana, com o cálculo das penas dos condenados.

O ministro revisor, Ricardo Lewandowski, será o próximo a votar.

(Reportagem de Hugo Bachega)

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