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Referendo
Sexta, 14 de outubro de 2005, 04h52 
Campanha pelo "sim" tentará "demonizar" armas
 
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Depois de constatar uma redução da vantagem do "sim" nas pesquisas relativas ao referendo sobre a venda de armas de fogo e munição, a frente parlamentar Brasil sem Armas resolveu mudar a estratégia de sua campanha em rádio e TV. O marqueteiro Luiz Gonzales, que assumiu a produção das peças publicitárias na reta final, mudará o tom e reforçará o discurso de "satanização" das armas e no ataque aos interesses da indústria do setor, que estaria respaldando a frente Pelo Direito da Legítima Defesa, favorável à manutenção do comércio dos armamentos.

A mudança de rumo se baseou em levantamentos internos da frente Brasil Sem Armas, segundo os quais a vantagem do "sim" caiu de 22 pontos percentuais para aproximadamente 10 pontos, de acordo com o jornal Folha de S.Paulo. O horário gratuito de exibição das campanhas se encerra no próximo dia 20, a três dias da votação.

Em meio a divergências internas entre a antiga coordenação da campanha e o comando da frente, Gonzales substitui nesta semana Paulo Alves, que pediu afastamento. Segundo o deputado Raul Jungmann (PPS-PE), secretário-geral da frente, a troca no comando se deu justamente por conta do desejo de dar um tom mais "incisivo" à campanha. Ele confirmou a intenção de "satanizar" as armas nas peças de publicidade.

Jungmann também confirmou que, a partir de agora, a campanha tentará mostrar supostos vínculos do grupo que defende o "não" com o comércio e a indústria de armas.

Ouvido pela Folha, Alves justificou sua saída alegando que houve propostas para os programas "nem sempre compatíveis" com sua leitura do assunto. Ele também questionou a utilização de personalidades famosas na primeira fase da campanha, dizendo que a iniciativa deu a impressão de que a publicidade do "sim" é "mais distante" da realidade da população, se comparada à propaganda do "não".

"Não" mantém estratégia
Enquanto isso, a frente parlamentar Pelo Direito da Legítima Defesa tende a manter a estratégia adotada até agora, defendendo a venda de armas e munição com a alegação de que o Estado tem dificuldade de garantir a segurança da população, e o cidadão tem de ter garantido o direito a adquirir armas para se defender. Chico Santa Rita, marqueteiro do grupo, afirma que a campanha está crescendo e não pretende "mudar nada".
 

Redação Terra