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Referendo
Domingo, 9 de outubro de 2005, 12h01 
Comerciantes dizem que venda de armas já é fraca
 
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Antônio Alves, um comerciante de armas licenciado, vendeu uma arma de fogo quatro meses atrás em sua loja no Rio de Janeiro e passou, relutantemente, a trabalhar com baterias e guitarras para sobreviver. O Brasil, recordista mundial em mortes provocadas por armas de fogo, prepara-se para o referendo de 23 de outubro, que pode proibir a venda de armas e munições para civis.

Mas os comerciantes desse tipo de produto dizem que a proibição não conseguirá piorar muito mais seus negócios e não reduzirá o número de mortes, já que a venda legal de armas caiu cerca de 90% nos últimos tempos. "Independentemente do resultado do referendo, o golpe mortal contra os nossos negócios já foi dado em 2003, com a lei de controle de armas", afirmou Alves, que também é presidente da Associação Nacional de Proprietários e Comerciantes de Armas (ANPCA).

Segundo ele, o número de lojas de armas de fogo caiu de 1,5 mil para 250 em todo o país, ou cerca de 80%, depois da aprovação do Estatuto do Desarmamento, no final de 2003. A lei exige a realização de exames psicológicos, testes sobre a habilidade de manusear as armas e altas taxas de registro para quem quiser comprar uma arma. Além disso, o proprietário de tal arma não pode adquirir mais de 50 cartuchos de bala por ano.

"Hoje é mais difícil comprar uma arma legalmente do que conseguir entrar em uma faculdade de medicina. Esse referendo não tem sentido", afirmou Vera Ratti, proprietária da loja Interarmas, em São Paulo. Ela ainda vende até dez armas de fogo por mês, mas o volume dos negócios caiu 90 por cento desde o dezembro de 2003. O referendo irá custar mais de R$ 200 milhões ao governo, uma soma que, segundo Ratti, seria melhor gasta na melhoria da força policial.

"Realmente, o comércio de armas em si não é o ponto central do referendo. Trata-se mais da idéia de que um Estado moderno precisa ter o monopólio sobre o uso das armas", afirmou um conhecido sociólogo que não quis ter sua identidade revelada. Pesquisas mostram que mais de 70% dos brasileiros são favoráveis à proibição das armas.

Segundo estimativas, há mais de 17 milhões de armas de fogo no Brasil e quase 60% delas são ilegais. Nas mãos dos civis, há cerca de 4 milhões de armas registradas. O único grande fabricante brasileiro de armas não militares, a empresa Forjas Taurus, e o fabricante de munição CBC recusaram-se a comentar o referendo ou a divulgar os números de venda. Entretanto, os vendedores dizem que a proibição deve apenas reforçar o domínio da dupla no mercado interno, enquanto suas exportações já estão aumentando em 40% ao ano.

Ratti estimou que o mercado civil doméstico representa não mais do que 10% das vendas da Taurus, cujas armas são muito populares nos Estados Unidos. A Taurus continuará podendo vender armas para a polícia, o Exército, juízes, empresas de segurança privadas e até mesmo colecionadores após a proibição, só que a venda será diretamente da fábrica, evitando o varejo. "A fábrica está rindo à toa. Eles vão se livrar dos vendedores de armas, mas continuarão vendendo. A indústria já está monopolizada, agora eles vão monopolizar o comércio. Tenho certeza que os preços vão subir já no próximo mês", disse Alves.

Na loja de Ratti, o revólver mais barato, uma pistola Taurus, custa R$ 800, mas os compradores terão que desembolsar pelo menos outros R$ 700 para o registro, exames e um curso de tiro. Enquanto isso, um revólver usado pode ser comprado na rua por cerca de R$ 60. "E os bandidos têm de tudo, incluindo rifles de assalto e granadas, coisas que as lojas nunca vendem", disse Ratti.
 

Reuters

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