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Referendo
Terça, 4 de outubro de 2005, 13h07 
Lesões de arma de fogo custaram R$ 19 mi ao SUS
 
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Em 2004, foram registradas 19.678 internações no Sistema Único de Saúde (SUS) causadas por lesões de armas de fogo e os custos econômicos somaram quase R$ 19 milhões. O levantamento foi feito pela assessoria técnica do Conselho Nacional dos Secretários de Saúde (Conass), utilizando informações do Sistema de Informações Hospitalares (SIH) do Ministério da Saúde.

O presidente do Conass e Secretário de Saúde de Minas Gerais, Marcus Pestana, manifestou hoje publicamente o apoio do colegiado de Secretários Estaduais de Saúde à proibição da comercialização de armas de fogo. Em reunião com o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), Pestana, apresentou os dados epidemiológicos e custos para o SUS com as internações por armas de fogo.

A assessoria de imprensa do Conass ressalta que esses dados não retratam totalmente o impacto das armas de fogo na saúde, visto que o SIH refere-se aos recursos federais não considerando os gastos realizados pelas esferas estaduais e municipais. Esse levantamento também se limita a dados de internações ocorridas na rede SUS, não incluindo gastos realizados com internações em outros estabelecimentos de saúde não conveniados com o SUS. Além disso, não estão sendo considerados os custos com tratamento e reabilitação das vítimas por armas de fogo.

O tempo médio de internações no SUS é de aproximadamente sete dias. As internações por lesões ocasionadas por armas de fogo são em grande parte letais e apresentam alto custo. Segundo dados do Ministério da Saúde, cerca de 52% das internações por armas de fogo entre os menores de 14 anos foram por causa acidental. O perfil das internações muda quando observado os registros entre os maiores de 14 anos: 63% das internações ocorrem devido a homicídios.

O impacto da violência na saúde da população brasileira também pode ser medido pelos dados de mortalidade. Segundo os dados do Ministério da Saúde, 270 mil brasileiros morreram por arma de fogo na década de 90, o que equivale a uma taxa média de 19,4 mortes por 100 mil habitantes. Nos anos de 2002, 2003 e 2004, a taxa de mortalidade foi, respectivamente, de 22; 22,4; 20,3 mortes por 100 mil habitantes.

Nos países desenvolvidos da Europa e da Ásia, essa taxa se expressa inferior a duas mortes por 100 mil habitantes. Foram registradas 37.978 mortes por armas de fogo em 2002; 39.325, em 2003; 36.091, em 2004. Em 2003, morreram aproximadamente nove pessoas a cada 2 horas por armas de fogo. Mas ao se limitar às mortes por armas de fogo, o problema não é inteiramente revelado. Faltam informações sobre feridos e sobre as vítimas que se internaram nos hospitais.

Segundo o Conass, um fato relevante foi a redução no número de mortes por armas de fogo no Brasil em 2004, após a vigência da campanha de desarmamento. Segundo relatório do Ministério da Saúde, constatou-se que no ano passado o número de óbitos caiu 8,2% em comparação a 2003. Essa queda representa 3.234 vítimas a menos. A pesquisa usou como referência o número de mortes em 2004 comparado ao ano anterior. Foram 1.960 óbitos a menos em São Paulo, entre os anos de 2003 e 2004, e no Rio de Janeiro houve um decréscimo de 672 óbitos.
 

Redação Terra