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"Quero minha filha de volta", diz mãe de brasileira presa em Tel Aviv

6 nov 2010
20h43
atualizado às 20h55
GABRIEL TOUEG
Direto de Tel Aviv

Elza Lichewitz, a mãe da brasileira Lilian Lichewitz, detida pela polícia israelense em Tel Aviv no começo da semana por suspeita de tráfico de drogas, contou ao Terra que conversou pelo telefone com a filha neste sábado. "Ela tem crise do pânico e estava muito nervosa, mas ficou mais calma depois de conversar comigo e com o pai", revelou. Na manhã do próximo domingo será realizada em Tel Aviv uma audiência para decidir se Lilian será liberada e poderá se juntar aos pais para acompanhar as investigações em prisão domiciliar. "Só quero minha filha de volta. Está faltando um pedaço de nós que ficou na prisão"

Na quinta-feira, Elza e o marido, Victor Lichewitz, detidos na madrugada da última segunda com a filha no aeroporto Ben Gurion, foram liberados e estão em prisão domiciliar até o dia 10 de novembro. Eles estão na casa de parentes e não podem sair desacompanhados. Eles estão ainda proibidos de deixar o País por 30 dias. A polícia entrou com uma apelação na última sexta-feira para manter Lilian presa durante o fim de semana (sexta e sábado em Israel).

Bastante emocionada, Elza disse acreditar na Justiça. "Ela (a Justiça) tarda mas não falha. Não a deixaram seguir seu rumo. Vou deixar tudo na mão da Justiça", disse. De acordo com ela, "alguma coisa foi armada" contra a filha. Os Lichewitz foram detidos depois que uma mochila com 1,2 kg de haxixe foi recebida por eles no hotel Metropolitan, de Tel Aviv. Elza afirma que o pacote foi colocado no quarto da família durante a noite, enquanto eles dormiam, e que a mochila não pertence a eles.

A brasileira relatou que o momento da prisão, quando foram retirados do avião, foi "humilhante". "Havia muitos conhecidos e nós não estávamos entendendo o que estava acontecendo", disse. Ela contou que entende hebraico básico, e que o marido e a filha "não entendem absolutamente nada". De acordo com Elza, durante 24 horas os três ficaram em um impasse na delegacia esperando um intérprete. "Trouxeram um tradutor argentino, que não falava português, e por isso houve contradições nos nossos depoimentos", explicou.

Invasão de privacidade
De acordo com o relato dela, a filha trocou mensagens pelo site de relacionamentos Facebook com uma pessoa que elas não conhecem, identificada como Shmuel Shoel. O Terra teve acesso às mensagens. Ele pedia a Lilian que levasse bolos e chocolates para o Brasil, em uma mochila que ele teria esquecido em Israel. Elza afirma que não concordou com a ideia e que teria dito à filha que não admite levar nada de ninguém. "Eu disse a ela que eles não são amigos e que não sabíamos do que se tratava", contou.

A desconfiança e preocupação de Lilian e da mãe aumentaram, segundo Elza, quando Shoel passou a insistir para que ela levasse o pacote, afirmando que a mãe, que seria diabética, precisaria dos doces. "Também sou diabética e posso encontrar produtos com a mesma qualidade no Brasil", disse. Apesar de agora saber que Shoel tem três passagens pela polícia de São Paulo por porte de drogas, Elza garantiu que no momento não pensa em fazer nada contra o rapaz ou o hotel Metropolitan.

Segundo Elza, quando notaram a mochila no quarto ao acordar, ela e a filha desceram para a recepção do hotel. "Eu estava muito brava", contou. "Desci e reclamei com o chefe da segurança, que perguntou se eu havia notado algo faltando no quarto". Mas, diz, ela reclamou do que chamou de "invasão de privacidade" e informou ao sujeito - cujo nome ela não quis revelar - que a mochila não era da família.

Até então, de acordo com Elza, ela e a filha não sabiam o que havia na mochila. Apesar de ter feito a reclamação, a mochila continuou em poder da família. Ao abri-la, conta, encontrou embalagens violadas de bolos e chocolates com a droga escondida. "Só nos livramos da mochila quando deixamos o hotel para ir ao aeroporto", disse.

Na versão de Elza, o mesmo chefe de segurança teria dito que daria "um fim" no assunto. Ela contou que a mochila foi colocada sob uma mesa pelo funcionário do hotel e que ela ficou então mais tranquila. A família saiu para o aeroporto, onde os três foram detidos depois de alguém no hotel ter chamado a polícia. De acordo com o site da polícia de Tel Aviv, um carregador de malas teria ligado para as autoridades.

Fonte: Especial para Terra
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