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Presídio gaúcho é o 2º a receber ala exclusiva para travestis

23 abr 2012
17h29
atualizado às 18h38

Daniel Favero
Direto de Porto Alegre

Policial guarda a entrada de uma das celas destinadas para travestis no Presídio Central de Porto Alegre
Policial guarda a entrada de uma das celas destinadas para travestis no Presídio Central de Porto Alegre
Foto: Eduardo Seidl/Palácio Piratini / Divulgação

O Presídio Central de Porto Alegre ganhou, oficialmente, nesta segunda-feira, uma ala exclusiva para travestis. Este é o segundo presídio brasileiro a possuir espaço específico para os transexuais. O primeiro foi instalado no presídio de São Joaquim de Bicas, na região metropolitana de Belo Horizonte, no entanto, na capital gaúcha serão abrigados ainda os companheiros dos presos que também estão no Central, já que eles não têm direito a visita íntima.

De acordo com a Associação de Travestis e Transexuais do Rio Grande do Sul, os transexuais eram vítimas de violência e privação de direitos básicos. "São 20 travestis e 20 companheiros que estão nessa ala que funciona desde o mês passado", disse a presidente da entidade, Marcelly Malta. Segundo ela, foi firmado ainda um convênio para a realização de oficinas voltadas para as presas, além de um trabalho de assistência jurídica e psicológica.

"Em outros locais (com outros presos) a gente não podia casar com o companheiro que escolhíamos, éramos obrigados a nos prostituir e muitas eram violentadas sexualmente", disse Edilson Rosalba da Silva, conhecido com Alanda, 24 anos, que foi preso por roubo e está há 10 meses no Presídio Central. Ele garante que o relacionamento que começou no presídio é sério. "Ele já até me apresentou para a família dele", assegura.

A ala exclusiva para os transexuais está localizada na galeria H, local que possui boas condições se comparado com o resto do Presídio Central. Em 2008, a casa prisional foi considerada a pior do País pela CPI do Sistema Carcerário da Câmara dos Deputados. "Elas já estão decorando o local, dando um trato diferenciado", disse a diretora do Departamento Penal da Superintendência de Serviços Penitenciários (Susepe), Ivalvete de França, garantindo que não haverá superlotação.

O Presídio Central comporta cerca de 1,6 mil presos, mas acomoda aproximadamente 4,5 mil detidos que aguardam julgamento. O secretário de Segurança Pública do Estado, Airton Michels, disse estão sendo feitos levantamentos que devem apontar até o ano que vem se o local será reformado ou desativado.

"Até o final de 2014 ou nós não teremos mais o Presídio Central ou nós teremos uma casa adequada para atender os presos provisórios de Porto Alegre, mas sem nenhuma possibilidade de superlotação", prometeu o secretário, que criticou ações como a da Ordem dos Advogados do Rio Grande do Sul, que ameaça denúnciar o Estado a órgãos internacionais de defesa dos direitos humanos pelas condições do presídio. "Seria uma vergonha", afirmou.

Fonte: Terra

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