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Veja os destaques da cobertura das Eleições 2010 no Terra

5 nov 2010
18h50

Ao encerrar a cobertura das Eleições 2010, o Terra, empresa de internet e mídia digital líder na América Latina, relembra alguns dos momentos que marcaram a disputa eleitoral que elegeu Dilma Rousseff (PT) à presidência da República e os governadores escolhidos para comandar os 26 Estados e o Distrito Federal até 2014.

Os candidatos à presidência da República foram acompanhados de perto pela equipe do Terra
Os candidatos à presidência da República foram acompanhados de perto pela equipe do Terra
Foto: Fernando Borges / Terra

O Terra Magazine, em uma série de três matérias iniciada ainda em dezembro de 2009, mostrou os bastidores da decisão do então governador de Minas Gerais, Aécio Neves, de não disputar a presidência da República. O jornalista Bob Fernandes informou que ele não seria vice do então presidenciável José Serra, e, em janeiro deste ano, em entrevista exclusiva, Aécio colocou um fim nas especulações de que ainda poderia mudar de ideia. Ainda que, mídia afora, o debate estéril tenha se arrastado por mais três meses.

Dilma x Serra
Na semana da viagem de Lula e Dilma a Garanhuns (PE), terra natal do presidente e ex-líder metalúrgico, um retrato do Brasil: as eleições comentadas pelos trabalhadores do cemitério da cidade e o destino dos "Silva" que não migraram.

Em 18 de setembro, em Campinas (SP), num comício de Dilma, o presidente Lula faz o mais duro discurso contra o que ele chamou de "partidarismo" da mídia. "Vamos derrotar jornais e revistas que têm candidato", bradou o líder petista.

No primeiro dia após a vitória, o Terra antecipou as manchetes dos jornais do dia seguinte informando da reunião de Dilma com a sua coordenação de sua campanha. Ela indicou Antonio Palocci, José Eduardo Dutra, José Eduardo Cardozo e Fernando Pimentel para o comando da transição. Nenhum membro do PMDB. No dia seguinte, ela incluiria o vice Michel Temer no grupo.

Do outro lado da trincheira, ainda no início da campanha, antes de ser definido que Índio da Costa seria vice de José Serra (PSDB), os tucanos apresentaram Álvaro Dias aos aliados, conforme o Terra antecipou, como a opção deles para integrar a chapa. A solução resolveria uma querela regional no Paraná, pois impediria que Osmar Dias, irmão de Álvaro, fosse candidato ao governo do Paraná. A atitude dos tucanos desagradou os aliados democratas que impuseram a renegociação. Do outro lado, mostrou que o PT tentava acordo com Osmar Dias.

Logo após saber da quebra de sigilo de sua filha Verônica Serra, o candidato concedeu uma entrevista exclusiva ao Terra em seu escritório. A reportagem encontrou o candidato ainda na mesma madrugada e a matéria foi ao ar no início da manhã. Leia mais

No dia 21 de outubro, o candidato José Serra (PSDB) foi vítima do que se convencionou chamar de o "ataque das bolinhas". O incidente ocorreu depois de militantes petistas entrarem em conflito com integrantes da campanha de Serra. Na ocasião, Serra foi atingido duas vezes na cabeça e interrompeu a sua campanha para passar por uma tomografia. Um dos dois objetos atirados contra ele foi uma bolinha de papel. O outro teria sido um rolo de fita adesiva. Leia mais

Na véspera da votação do segundo turno, o Terra fez uma retomada de como foi a campanha de Serra e dos conflitos por ele vividos para definir se sairia candidato à Presidência. Leia mais

Ao se fazer um retrospecto dos principais lances da campanha de Dilma, pode-se passar da dureza das ruas às conversas de bastidores. Do cabeleireiro Celso Kamura ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, os humores da candidatura petista podem ser verificados aqui.

Após o primeiro debate do segundo turno, na Band, o Terra antecipou também qual seria a nova estratégia de Dilma, que colocou Paulo Preto na campanha. Antes do segundo turno, o Terra publicou trechos de documentos entregues pelo jornalista Amaury Ribeiro Júnior - acusado pela quebra de sigilo de Veronica Serra - entregues por ele à Polícia Federal. Durante a campanha, o Terra trouxe ainda entrevista com uma ex-aluna de Monica Serra, em que dizia que a mulher do candidato teria contado, durante uma aula, que no passado teria feito um aborto.

Marina
No dia 29 de agosto, após um café da manhã organizado para que dirigentes do PV e coordenadores da campanha de Marina Silva fizessem um balanço da situação da candidatura até aquele momento, um dos integrantes do encontro revelou pela primeira vez os planos que a ainda candidata já tinha para depois das eleições. No café, Marina ouviu de seus pares que a vitória de Dilma Rousseff (PT) era inevitável - contudo, acreditava-se numa vitória ainda no primeiro turno, o que não se confirmou - e que já deveria pensar maneiras de se firmar como liderança política alternativa no País.

No dia 4 de outubro, um dia após o primeiro turno eleitoral, o Terra antecipou qual seria a posição no dia 31 de outubro da senadora Marina Silva (PV-AC), terceira colocada na disputa, com quase 20 milhões de votos. Leia mais.

A senadora Marina Silva (PV-AC) abriu pela primeira vez as portas do apartamento funcional onde vive com a família, em Brasília, para atender a um pedido de entrevista. O Terra foi o único a registrar a senadora lendo a Bíblia, arrumando gavetas, vasculhando estantes com livros e confeccionando bijuterias com sementes da Amazônia.

Lula exclusivo
No auge das denúncias sobre a quebra de sigilo de tucanos e o caso Erenice Guerra, o Terra publicou, no dia 23 de setembro, uma entrevista exclusiva com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva que colocou em discussão a posição adotada pelos maiores veículos de comunicação do País na cobertura das eleições 2010. Lula disse que "nove ou dez famílias" dominam a comunicação no Brasil e declarou que o País terá, de alguma forma, que discutir e legislar - no Congresso, ressaltou - sobre o assunto. A entrevista causou grande repercussão e levou jornais como a Folha de S.Paulo e O Estado de S.Paulo a publicar editoriais - inclusive em sua primeira página, no caso da Folha - em resposta às declarações do presidente.

Na entrevista, foi a primeira vez também que o presidente da República falou de forma enfática sobre a ex-ministra da Casa Civil Erenice Guerra, acusada, junto com seus dois filhos, de um suposto lobby para favorecer interesses de empresas. Lula disse que Erenice "jogou fora a chance de ser uma grande funcionária pública". De acordo com o presidente, "se alguém acha que pode chegar aqui e se servir, cai do cavalo".

Lula comentou ainda momentos difíceis em seu governo, como no período do chamado "mensalão", em 2005, e revelou que adversários pensaram em derrubá-lo do poder. "Eles não sabiam da força que eu tinha na rua", avaliou.

Minas Gerais
As eleições no segundo colégio eleitoral do Brasil seguiram o script esperado. Muita negociação, excesso de tensão e olhares voltados para Minas. A disputa estadual, antes de ter como protagonistas Antonio Anastasia (PSDB) e Hélio Costa (PMDB) teve um capítulo inicial. Dentro do PT, dois candidatos saíram concorrentes. No dia 2 de maio, a reportagem do Terra acompanhou as prévias do partido por mais de dez horas. A vitória foi de Fernando Pimentel, que ganhou, mas não levou, pois o escolhido para a disputa foi o nome do PMDB.

Depois da derrota para o colega de partido, o ex-ministro Patrus Ananias se recolheu. Em entrevista ao Terra, desabafou e disse que não aceitaria um partido de coronéis. Na outra seara, a menos de um mês para a convenção que escolheria José Serra candidato a presidente, a pressão continuava. O PSDB ainda fazia gestões para ter Aécio Neves como vice. Nada feito, como já adiantara Terra Magazine três meses antes. Ao visitar Minas, no dia 19 de julho, Serra deu o tom do que será sua campanha: acusou o PT de ter ligação com as Farc.

Hélio Costa lidera a disputa, seguido de longe por várias semanas por Anastasia. Em clima tenso, os dois intensificam as viagens. No início de setembro, o quadro se reverte e o tucano sobe nas pesquisas.

O presidente Lula comparece a comício em Belo Horizonte no dia 9 de setembro e dispara: "oposição faz campanha movida pelo "ódio"

Quem também se dedica a Minas é o ministro da Articulação, Alexandre Padilha. Em entrevista exclusiva ao Terra, ele diz que denúncias contra Dilma lançadas pelo PSDB só faziam com que o "feitiço virasse contra o feiticeiro". Leia mais

São Paulo
Em São Paulo, a eleição foi definida em primeito turno a favor do candidato do PSDB, Geraldo Alckmin. Por menos de 1% dos votos válidos, o candidato do PT, Aloizio Mercadante, não conseguiu ir adiante. A disputa que parecia ser a mais acirrada, de uma vaga no Senado, acabou com uma surpresa. O candidato tucano Aloysio Nunes Ferreira, que aparecia o tempo todo em terceiro lugar nas pesquisas, acabou sendo o mais votado, seguido pela petista Marta Suplicy.

O vereador paulistano Netinho de Paula, foi quem acabou sobrando. Às vésperas da eleição, ele teve a sua casa, em um condomínio fechado de Alphaville, na Grande São Paulo, invadida pela polícia, por conta de uma disputa judicial. Ao Terra, Netinho atribuiu os ataques que sofreu durante a campanha a um desconforto racial da elite.

A campanha também teve momentos divertidos, como no dia que a mulher do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Marisa Letícia, - que fazia campanha em São Paulo para Aloizio Mercadante - foi confundida com Marta Suplicy e levou uma bronca de uma eleitora.

Já na disputa do segundo turno, a Polícia Federal apreendeu em uma gráfica do bairro do Cambuci, zona sul da capital paulista, panfletos anti-Dilma em uma gráfica. Eles insinuavam que a petista era favorável ao aborto.

Rio Grande do Sul
No início de setembro, o Terra foi o primeiro entre os sites nacionais de notícias a informar os leitores sobre o caso do sargento lotado na Casa Militar do governo gaúcho que espionava políticos e autoridades. Leia mais

Desde o início de maio o Terra publicou matérias explicando os bastidores da busca do candidato do PSDB à presidência da República, José Serra, pelo apoio do PMDB gaúcho, os constrangimentos que isso causava a seu próprio partido no Estado e o visível desconforto que pontuava a relação entre Serra e a governadora Yeda Crusius (PSDB), que disputou a reeleição, e perdeu. Leia mais

Em 16 de junho, foi publicada reportagem explicando porque o PMDB gaúcho iria oficialmente optar pela neutralidade em relação à disputa presidencial, antecipando decisão anunciada 11 dias depois. Antes disso, e até o final da campanha, em uma série de matérias, o Terra expôs a situação do PMDB no Estado, a divisão do partido entre Serra e Dilma, as diferenças do diretório estadual com o nacional, as resistências de Pedro Simon e Michel Temer e as consequências de tudo nas urnas.

Pernambuco
Eleito com a maior votação percentual do País, ainda no primeiro turno, o governador Eduardo Campos (PSB), em entrevista ao Terra, chamou a atenção para o novo desafio que o governo teria caso fosse vencedor: "juntar os bons". A declaração dada em 14 de outubro fazia referência aos oposicionistas, em especial a Aécio Neves (PSDB), de quem é contemporâneo e próximo. "Tem pessoas na oposição que guardam os valores que nós guardamos". Naquele momento, o líder do PSB também falou sobre a perspectiva de crescimento do partido, a eleição de seis governadores, previsão concretizada após a o encerramento das urnas do segundo turno. Um dia após o segundo turno, Eduardo Campos, afirmou em entrevista ao Terra que era hora de abrir o diálogo".

Quando decidiu enfrentar nas urnas o governador de Pernambuco Eduardo Campos (PSB), o senador Jarbas Vasconcelos (PMDB) já declarava que seria uma "campanha dura e desigual", por integrar a oposição ao governo federal, estadual e municipal (Recife). No entanto, o principal conflito do peemedebista durante a campanha foi com o senador e presidente nacional do PSDB, Sérgio Guerra. O líder tucano negou-se a integrar a chapa de Jarbas como candidato à reeleição e não coibiu os peessedebistas do estado de votar em Eduardo. A desunião da oposição em Pernambuco refletiu nas urnas, com apenas 14,06% dos votos para o candidato do PMDB. Diante disso, Guerra e Jarbas cortaram os laços e não se falam mais. Leia mais aqui e aqui

Terra TV
A cobertura das eleições contou com mais de 700 vídeos. O Terra TV transmitiu ao vivo as convenções que confirmaram os nomes de José Serra, como candidato a presidente do PSDB, e Dilma Rousseff, como candidata do PT. Marina Silva, do PV, participou de uma sabatina nos estúdios de São Paulo. Internautas de todo o País enviaram questões para a candidata verde por e-mail, gravadas em vídeo e através das redes sociais.

Ao longo da campanha, passaram pelos estúdios de Terra TV dezenas de entrevistados. A lista inclui José Aníbal, do PSDB, que se reelegeu para a Câmara; Ricardo Young, do PV, e Netinho de Paula, do PCdoB, que disputaram uma vaga no Senado; Aloizio Mercadante, do PT, e Paulo Skaf, do PSB, candidatos ao governo de São Paulo; e Plínio de Arruda Sampaio, candidato do Psol a presidente. Antes, na pré-campanha, ele já havia dado uma entrevista exclusiva ao Portal. Na ocasição, ele disse que Dilma, Serra e Marina eram iguais.

Na disputa presidencial, o clima começava a pesar. O candidato José Serra dá uma entrevista exclusiva ao Terra para falar da quebra de sigilo fiscal da filha dele, Verônica. E compara o episódio a outro vivido por Lula em 1989.

A campanha ganha contornos sombrios. O PSDB elege a rede para divulgar peças agressivas contra os petistas e contra Dilma.

Em meio a ataques de todos os tipos, chega o dia 3 de outubro. O Terra acompanhou em tempo real a eleição do primeiro turno. E a partir das 5 horas da tarde, quando as urnas fecharam, começava uma intensa programação nos estúdios de São Paulo.

No segundo turno, as hostilidades entre as campanhas do PSDB e do PT aumentaram. Houve até enfrentamento nas ruas. Num momento mais tenso, no Rio de Janeiro, o candidato Serra foi atingido por um objeto. E o País assistiu a uma série de versões sobre o que realmente teria atingido a cabeça do tucano.

No dia 31 de outubro, dia da eleição, durante a programação ao vivo, pós-fechamento das urnas, Soninha Francine, coordenadora da campanha digital de José Serra, discute com Emídio de Souza, prefeito petista de Osasco, na Grande São Paulo. Veja aqui.

Durante quase seis horas de programa, catorze convidados passaram pelos estúdios e comentaram o andamento da apuração. Por volta de dez horas da noite, o internauta do Terra acompanhou o discurso da vitória de Dilma Roussef. A petista se emocionou ao falar do apoio de Lula.

A programação terminou com o discurso do candidato derrotado José Serra. O tucano agradeceu os votos, disse um até logo e recitou uma estrofe do hino nacional.

Mídias sociais
A campanha mal havia começado oficialmente quando Jorge Côrte Real, então candidato a deputado federal em Pernambuco, cometeu uma gafe no Twitter. Seu nome apareceu no lugar do perfil @naoehamor, que somava mais de 32 mil followers. Os seguidores originais de @naoehamor perceberam a substituição, deram unfollow em massa e reclamaram a "enganação" que haviam sofrido, levantando a hipótese de compra de followers. Leia mais aqui ou aqui.

Candidato usa vídeos institucionais para fazer campanhaEnquanto isso, no YouTube, o candidato a deputado estadual baiano Euclides Fernandes buscava a reeleição associando seu slogan, foto e número de votação ao final de vídeos institucionais do Governo Federal, do Ministério da Saúde e do Governo Estadual da Bahia.

Sérgio Cabral chama jovem de "otário" e "sacana" em vídeo no YouTubeEm agosto, um vídeo com imagens do governador do Rio de Janeiro e então candidato à reeleição, Sérgio Cabral, ao lado do presidente Lula em uma favela da Zona Norte carioca se projetou no YouTube e no Twitter pelo conteúdo polêmico. A gravação é do ano passado, embora só tenha sido veiculada no YouTube no dia 6 de agosto deste ano. Leia mais aqui ou aqui.

Após as comemorações do #DilmaDay - hashtag usada no Twitter para identificar mensagens de euforia pela vitória de Dilma no segundo turno - uma onda de preconceito se espalhou pela rede de microblogs. O pivô da história foi a tuiteira Mayara Petruso, que publicou a mensagem: "Nordestisto (sic) não é gente, faça um favor a SP, mate um nordestino afogado!". Insatisfeita com a eleição da candidata petista, Mayara creditou a escolha aos eleitores do Nordeste e provocou a revolta de muitos membros da comunidade. Leia mais aqui, aqui ou aqui.

Números
Com mais de 200 profissionais do Terra envolvidos na cobertura, foram produzidos mais de 700 vídeos, 5.344 fotos e 8.108 textos sobre as andanças dos candidatos, os bastidores políticos e a votação que consagrou os vencedores.

Fonte: Redação Terra
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