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Veja como estão hoje os personagens do esquema montado por PC Farias

Morto em 1996, PC Farias foi pivô de escândalo de corrupção que derrubou o ex-presidente Fernando Collor de Mello

11 mai 2013
07h39
atualizado às 07h39
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O julgamento dos policiais militares Adeildo Costa dos Santos, Reinaldo Correia de Lima Filho, Josemar Faustino dos Santos e José Geraldo da Silva, que foram a júri popular nesta semana acusados de homicídio qualificado por omissão nas mortes de Paulo César Farias e Suzana Marcolino, recolocou sob os holofotes um escândalo que mudou os rumos do País há mais de 20 anos. Em 1992, era denunciado o esquema PC Farias, como ficou conhecido o caso de corrupção que culminou no impeachment do então presidente da República, Fernando Collor de Mello.

Paulo César Farias e Suzana Marcolino foram assassinados na madrugada do dia 23 de junho de 1996, em uma casa de praia em Guaxuma. À época, o empresário respondia a vários processos e estava em liberdade condicional. Ele era acusado dos crimes de sonegação de impostos, falsidade ideológica e enriquecimento ilícito. A morte de PC Farias chegou a ser investigada como queima de arquivo, já que a polícia suspeitou que o ex-tesoureiro da campanha de Collor poderia revelar nomes de outras pessoas que teriam participação nos mesmos crimes.

Entretanto, a primeira versão do caso, que foi apresentada pelo delegado Cícero Torres e pelo legista Badan Palhares, apontou para crime passional. Suzana teria assassinado o namorado e, na sequência, tirado a própria vida. A versão foi contestada pelo médico George Sanguinetti, que descartou tal possibilidade e, mais tarde, novamente questionada por uma equipe de peritos convocados para atuar no caso. Os profissionais forneceram à polícia um contralaudo que comprovaria a impossibilidade, de acordo com a posição dos projéteis, da tese de homicídio seguido de suicídio.

Relembre a seguir como estão os principais personagens do esquema montado por PC Farias:

PC Farias

Foto: Reprodução

Figura central do escândalo de corrupção que derrubou Fernando Collor, o empresário Paulo César Farias, mais conhecido como PC Farias, foi tesoureiro da campanha presidencial e era a figura mais influente dentro do governo, com trânsito em todos os ministérios e diversos setores da economia. As primeiras denúncias contra ele surgiram em 1990, quando foi acusado de ter pressionado a Petrobras para conceder um financiamento de US$ 40 milhões à companhia aérea Vasp.

Porém, a crise eclodiu de fato em maio de 1992, após Pedro Collor afirmar à revista Veja que PC Farias seria o "testa-de-ferro" do presidente em diversos empreendimentos, incluindo o jornal Tribuna de Alagoas. Na mesma entrevista, Pedro Collor acusou PC de influir diretamente nas decisões do governo em benefício do esquema. Ao fim daquele ano, o relatório final da CPI instaurada para apurar o escândalo apontava que PC teria movimentado ao menos US$ 6,5 milhões para pagar gastos pessoais de Collor durante o seu mandato, incluindo a reforma da Casa da Dinda, a mansão do presidente em Brasília.

Em junho do ano seguinte, após ter decretada a prisão preventiva por sonegação fiscal, PC Farias fugiu do País, acompanhado de seu ex-sócio Jorge Bandeira. A fuga começou no interior de Pernambuco, a bordo de um avião pilotado por Bandeira, que fez escala no Paraguai até chegar a Buenos Aires, na Argentina. De lá, PC seguiu para Londres, onde foi localizado pela polícia inglesa em outubro. O empresário fugiu novamente, desta vez para a Tailândia, onde finalmente foi capturado e deportado ao Brasil em novembro.

Em dezembro de 1994, o Supremo Tribunal Federal (STF) condena PC Farias a sete anos de prisão por falsidade ideológica. Em junho de 1995, deixa a prisão para cumprir o resto da pena em regime aberto e, em dezembro do mesmo ano, recebe a liberdade provisória, enquanto respondia a processos por sonegação de impostos, falsidade ideológica e enriquecimento ilícito. Menos de seis meses depois, foi encontrado morto com um tiro na altura da axila esquerda, acompanhado da namorada, Suzana Marcolino, em sua casa de praia em Maceió (AL).

Fernando Collor de Mello

Foto: Agência Brasil

Primeiro presidente eleito de forma direta após a ditadura militar, Fernando Collor de Mello já vinha desgastado pelo mau desempenho da economia brasileira quando o escândalo PC Farias eclodiu, em 1992. A situação foi agravada após seu próprio irmão, Pedro Collor, fazer coro ás denúncias, afirmando que cerca de US$ 100 milhões passaram pelas mãos de PC Farias durante a campanha de Collor, dos quais o tesoureiro teria embolsado US$ 15 milhões. Em entrevista concedida na época, Pedro Collor chegou a dizer que PC seria o "testa-de-ferro" de Collor, responsabilizando o presidente pelas atividades ilícitas de seu ex-tesoureiro.

Contra Collor pesaram denúncias de que diversas despesas pessoais suas, incluindo contas da casa da família do presidente, eram pagas por funcionários de PC Farias. Diante das suspeitas, foi instaurada uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o esquema de corrupção, que culminou com a abertura do processo de impeachment contra Collor, proposto pela Associação Brasileira de Imprensa (ABI) e pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), e aprovado pela Câmara em 29 de setembro daquele ano.

Afastado do cargo, Collor foi substituído interinamente pelo vice-presidente, Itamar Franco (PMDB), enquanto a CPI concluía seus trabalhos. No dia 29 de dezembro, Collor renunciou à Presidência da República, horas antes de ser condenado pelo Senado por crime de responsabilidade, perdendo seus direitos políticos por oito anos.

Após uma tentativa frustrada de reaver os direitos políticos no Superior Tribunal de Justiça (STJ), Collor viu o Supremo Tribunal Federal (STF) arquivar, em 1994, o processo em que era acusado de corrupção passiva. No ano seguinte, se mudou para Miami, nos Estados Unidos, onde permaneceu até 1998. Em 2000, tentou concorrer à prefeitura de São Paulo, mas foi impedido pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Dois anos depois, já com seus direitos políticos revalidados, disputou o governo de Alagoas, sendo derrotado no segundo turno. Em 2006, Collor retornou à política nacional ao ser eleito senador por Alagoas, agora filiado ao PTB, fazendo parte da base aliada de seu antigo rival nas eleições presidenciais, Luiz Inácio Lula da Silva.

Rosane Collor

Foto: AFP
Segunda mulher de Fernando Collor, Rosane Brandão Malta - mais conhecida como Rosane Collor -, protagonizou escândalos nos dois anos que passou como primeira-dama do Brasil. Em 1991, foi afastada da presidência da Legião Brasileira de Assistência (LBA) após denúncias de desvios de dinheiro da entidade filantrópica em benefício de familiares de Rosane. O irmão de Rosane, Pompílio, teria recebido recursos da LBA para o fornecimento de água em carros-pipa no combate à seca no município alagoano de Canapi - terra natal da família -, mas os veículos nunca foram fornecidos.

Após o impeachment de Collor, o casal se mudou para Miami, nos Estados Unidos, em 1995. Em 2005, Rosane se divorciou do ex-presidente. Convertida à igreja evangélica, Rosane atualmente se dedica à escrita de um livro de memórias, em colaboração com o jornalista Fábio Fabretti.

Pedro Collor

Foto: Veja / Reprodução

Pedro Collor de Mello entrou em rota de colisão com o irmão, o presidente Fernando Collor, após ser afastado da direção das organizações Arnon de Mello, que controlava boa parte da imprensa alagoana. Por conta de suas constantes críticas à gestão de Collor, Pedro chegou a ter a sanidade questionada pela própria mãe, dona Leda, como forma de minimizar suas declarações. Em maio de 1992, porém, apresentou à imprensa um laudo comprovando sua integridade mental.

No mesmo mês, a revista Veja publicou uma entrevista com Pedro Collor em que ele acusava PC Farias de ser o "testa-de-ferro" do irmão em negócios operados pelo esquema de corrupção. "Qual foi o principal mote da campanha do Fernando? Quem roubava ia para a cadeia. Na prática, estou vendo uma coisa completamente diferente. Ninguém pode enrolar todo mundo o tempo todo", afirmou à revista. "O Paulo César é a pessoa que faz os negócios de comum acordo com o Fernando. Não sei exatamente a finalidade dos negócios, mas deve ser para sustentar campanhas ou manter o status quo", disse. Além das denúncias, Pedro Collor ainda fez revelações sobre o juventude do presidente e o seu envolvimento com drogas na década de 1960, quando eram usuários de cocaína. Pedro Collor morreu de câncer no cérebro em 1994, deixando a esposa, Thereza Collor, e três filhos.

Thereza Collor

Foto: Facebook / Reprodução

Filha do deputado João Lyra (PSD-AL), Thereza Collor foi alçada à condição de musa do impeachment em maio de 1992, quando acompanhou o marido e irmão do então presidente, Pedro Collor, em uma entrevista coletiva em São Paulo. Vestindo um tailleur xadrez que revelava suas pernas, Thereza chamou mais atenção dos jornalistas do que o atestado de integridade mental apresentado por Pedro, cuja sanidade havia sido questionada pela própria família após a série de denúncias feitas contra Fernando Collor.

Após a morte do marido em 1994, foi secretária de Turismo de Alagoas entre 1995 e 1998, mas decidiu afastar-se da política. Atualmente casada com o empresário paulista Gustavo Halbreich, Thereza se dedica a trabalhos com alta costura e joias.

Ibsen Pinheiro

Foto: PMDB / Divulgação

Então presidente da Câmara, o ex-deputado Ibsen Pinheiro (PMDB-RS) comandou a histórica sessão que aprovou a abertura do processo de impeachment contra Collor. Em 1994, teve seu mandato cassado por envolvimento com o escândalo dos anões do Orçamento, ficando inelegível por oito anos.

Em 2000, porém, o STF arquivou o processo contra Ibsen, que retornou à política em 2004, sendo eleito vereador de Porto Alegre e, dois anos depois, retornando à Câmara. Atualmente, é presidente do Conselho Deliberativo do  Internacional.

Jorge Bandeira

Ex-sócio de PC Farias, Jorge Bandeira era o piloto do "Morcego Negro", jatinho símbolo do esquema de corrupção montado pelo ex-tesoureiro de Collor. Em 1993, ajudou PC a fugir do Brasil. Passou dois anos em Buenos Aires, na Argentina, onde estudou gastronomia até ser preso e deportado. Passou nove meses na prisão, por sonegação fiscal. Atualmente, é proprietário e chef do restaurante Le Corbu, em Maceió (AL). Entre os pratos servidos está o "filé do presidente", cuja receita seria de Fernando Collor, frequentador assíduo e amigo pessoal de Bandeira.

Lindbergh Farias

Foto: Divulgação

Em 1992, Lindbergh Farias era presidente da União Nacional dos Estudantes (Une) e se tornou uma das principais lideranças do movimento dos "caras pintadas", que tomaram as ruas do Brasil em uma série de protestos pedindo o impeachment de Collor. Em 1994, foi eleito deputado federal pelo PCdoB, migrando para o PSTU três anos depois.

O baixo desempenho da legenda, porém, impediu que fosse eleito em 1998 e 2000 a deputado federal e vereador do Rio de Janeiro, respectivamente. Por esse motivo, em 2001 filiou-se ao PT, partido pelo qual voltou à Câmara e foi prefeito de Nova Iguaçu de 2005 a 2010, cargo que deixou para concorrer a uma cadeira no Senado, onde está atualmente.

Eriberto França

Foto: IstoÉ / Reprodução

Assessor de Ana Acioli, secretária particular de Fernando Collor, Eriberto França ficou conhecido como "o motorista que derrubou o presidente". Em entrevista à revista IstoÉ, forneceu provas concretas do envolvimento de Collor com o esquema montado por PC Farias. Espécie de "faz-tudo" de Acioli, Eriberto pagava as contas da Casa da Dinda, a mansão do presidente em Brasília, com dinheiro de PC Farias.

Foi ele quem comprou, com um cheque de PC, a famosa Fiat Elba usada por Rosane Collor, carro que virou prova do esquema de corrupção no Planalto. Após o impeachment de Collor, Eriberto trabalhou para a IstoÉ e, posteriormente, no Ministério do Trabalho e na Empresa Brasileira de Comunicação (EBC). Depois de passar mais de um ano desempregado, atualmente ganha a vida com bicos e reclama da falta de reconhecimento dos políticos por seu papel no impeachment.

Fonte: Terra

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